ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

CLÁUDIO MARRA

FOTOCLAUDIOMARRA

ENTREVISTA

Por Fernando Passarelli

Um pastor evangélico no comando de uma redação de revistas de quadrinhos. Foi o que aconteceu no Brasil, nos anos de 1970 e 1980. Cláudio Marra entrou na Editora Abril em 1969, como letrista das publicações Disney. Não demorou muito para que chegasse ao cargo de Chefe de Redação. Foi também em 1969 que ele começou uma nova experiência em sua vida – o primeiro ano da Faculdade Teológica Batista, de onde sairia para plantar igrejas na África do Sul. De volta ao Brasil, ele retomou a carreira nos quadrinhos em 1976, trabalhando com os títulos Disney, Turma da Mônica e a linha de super-heróis. Alí permaneceu até o começo de 1989 – e testemunhou muitas das transformações que o setor passou. Memória viva dessa fase áurea das HQs no Brasil, hoje Cláudio Marra é pastor presbiteriano, escritor e editor da Cultura Cristã.

CLAUDIOMARRA1DEUS NO GIBI- O período no qual o sr. trabalhou na Editora Abril foi uma das épocas de sucesso das histórias de heróis. Tinham a noção, naquela época, de que era um período dos “quadrinhos de ouro”?

CLÁUDIO MARRA – Só dava formatinho. Os álbuns ainda iam chegar e nós curtíamos o que faziam lá fora. Mas quando saí já tínhamos publicado alguma coisa por aí.

DEUS NO GIBI – O sr. editou também quadrinhos da Hanna-Barbera, Looney Tunes e até Turma da Mônica. Foi um período de muitas vendas na Editora Abril. Que lembranças tem desse período?

CLÁUDIO MARRA – De fato, no período de 1969 a 1989 muita coisa aconteceu ali. Vinte anos! Nem dá para lembrar a infinidade de títulos que fizemos. Lá pela metade da década de 70 o Tio Patinhas vendia 500 mil exemplares por mês, acompanhado de perto pela família Disney. Mas o Maurício vinha subindo e não parou.

DEUS NO GIBI – Com tanto material que lhe chegava às mãos, e com um envolvimento grande com
quadrinhos, nunca pensou em editar HQs de conteúdo cristão? Havia algo de destaque nesse
sentido, naquele período no qual trabalhou na Editora Abril?

CLAUDIOMARRA3CLÁUDIO MARRA – Nos anos 1970, e talvez depois, a Editora Betânia publicou histórias da Bíblia em quadrinhos. Fiz as letras de algumas, como Daniel e Sansão. Não me lembro se fiz de outras. Ao me tornar Editor da Cultura Cristã pensei logo na literatura infantil e em HQ, mas temos aqui alvos e limitações que não deixaram essas áreas deslanchar.

DEUS NO GIBI – Como foi a sua saída da Editora Abril?

CLÁUDIO MARRA – Depois dos quatro anos em que plantei igrejas na África do Sul meu sonho sempre foi retornar ao ministério pastoral em tempo integral. Fiquei ajudando como podia até aparecer um convite que pude aceitar. Eu era Diretor de Redação, mas não pisquei.

DEUS NO GIBI – Já trabalhava na Editora Abril quando integrou as duas primeiras equipes do Ministério Vencedores Por Cristo?

CLÁUDIO MARRA – Vencedores começou em 1968, com a primeira equipe, um ano antes do meu início
na Abril, e fiquei com eles até 1972, na décima equipe, quando sai para a África. Quando retornei ao Brasil, e à Editora Abril, passei a trabalhar no apoio de igrejas pequenas e na plantação de igrejas em São Paulo.

CLAUDIOMARRA4DEUS NO GIBI – Ainda lê quadrinhos hoje em dia?

CLÁUDIO MARRA – Com 60 lançamentos da Cultura Cristã neste ano, além das reedições – e mais as pesquisas para chegar a tudo isso – acabo não lendo muitas histórias em quadrinhos. Mas como leio tudo em que ponho as mãos, isso acaba acontecendo. Graças ao bom trabalho do excelente Primaggio Mantovi vou acompanhando o Rock Lane. Eu sei, não é super-herói, mas um herói que é super e uma afinidade que remonta à minha infância distante.

DEUS NO GIBI – Tem acompanhado a expansão dos quadrinhos digitais?

CLÁUDIO MARRA – Permaneço mais com o velho e bom papel!

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