ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

FÁBIO COALA

FOTOFABIOCOALA

ENTREVISTA

por Fernando Passarelli

Dizem que foi Francisco de Assis que recomendou que o evangelho fosse pregado. Se necessário, usando palavras. É como o Fábio Coala, nas suas histórias em quadrinhos. É difícil encontrar um autor que consiga abordar tão bem o amor, a esperança, a fraternidade e o companheirismo – elementos fundamentais do cristianismo. Coala, como ficou conhecido, é na verdade Fábio Cavalcanti, um publicitário do Guarujá, litoral sul paulista, que desenha desde a adolescência. E que, um dia, decidiu se tornar um bombeiro. Bombeiro mesmo, com “B” maiúsculo, de sair no caminhão vermelho, com a sirene ligada, pra apagar incêndio. Depois dessa experiência, de salvar muita gente, ele voltou para os desenhos. Mas já era alguém diferente, com um olhar muito pessoal sobre a fragilidade da vida. Foi das situações que vivenciou nesse período que nasceu a primeira história do Monstro – uma criatura roxa, que aparece para proteger as pessoas indefesas. COALA2A Graphic Novel do Monstro foi lançada na forma de financiamento coletivo e em menos de 24 horas estava totalmente viabilizada. Sucesso absoluto, que deu origem até a um  bichinho de pelúcia do personagem. Com o perdão do trocadilho, o Coala também é um “monstro” na tiras de humor que publica no site Mentirinhas. Ele é pode até não acreditar, mas continua “salvando vidas”, com o seu trabalho. Ou, pelo menos, salvando a qualidade do quadrinho nacional.

 

DEUS NO GIBI – Até onde aquilo que lemos é o Fábio Coala contando uma história e até onde é o Fábio Coala falando dele mesmo?
FÁBIO COALA – Grande parte das histórias, principalmente as HQs, é inspirada em histórias reais. Algumas que estive envolvido de alguma maneira. Falando exatamente de mim não são tão comuns, mas falando para mim, são muitas. Por vezes escrevo algo que preciso mudar ou que está me incomodando e isso acaba atingindo outras pessoas também.

DEUS NO GIBI – Além da qualidade do seu desenho, o texto de suas histórias também chama muito a atenção. Como funciona esse processo de redação? 
FÁBIO COALA – Não me acho um grande desenhista, tento evoluir principalmente nas HQs, mas ainda tenho um longo caminho. Sempre gostei de escrever e gostaria de ter tempo para escrever mais e dar mais atenção aos textos dos meu quadrinhos. A verdade é que é sempre muito corrido, mas algumas ideias precisam ter um texto claro que, por vezes, são até mais importantes que o desenho. Normalmente penso na ideia crua e faço o desenho baseado nela. Daí, quando tudo está finalizado escrevo e reescrevo o texto até ficar bom.

DEUS NO GIBI – Que dica pode dar para quem quer aprender a escrever bem os diálogos de quadrinhos?
FÁBIO COALA – Não ter preguiça de ler e ler de tudo. Começar a prestar mais atenção aos diálogos dos filmes e séries que assiste. Tem muita coisa sensacional que acaba passando sem darmos a devida atenção. Às vezes quando termino um filme ou série volto para conferir algum diálogo, cena, enquadramento…

DEUS NO GIBI – Quando tempo leva para fazer um tira e uma HQ?
FÁBIO COALA – Isso é bem relativo. Uma tira pode variar entre 2 e 4 horas, mas a ideia, que é o principal pode vir “sem querer” ou depois de muitas horas de imaginação. As HQs, demoram em media um dia por página.

COALA5DEUS NO GIBI – Qual o futuro do Monstro? O que tem preparado para o personagem?
FÁBIO COALA – A ideia do Monstro sempre foi a de ter um personagem livre que pudesse transitar entre o drama e o lúdico. Pudesse ter uma série fixa e histórias com temas e épocas distintas. A nova Graphic Novel do Monstro não é continuação nem prelúdio da primeira, quis fazer algo diferente e mais divertido pra mim e para o leitor. Não quero me prender a uma fórmula.

DEUS NO GIBI – Você ficou surpreso quando lançou o projeto do Monstro e conseguiu o financiamento coletivo em menos de um dia? 
FÁBIO COALA – Foi uma surpresa. Havia me planejado para, talvez, completar o dinheiro até um valor X. Acho que deu tão certo por vários motivos. Sim, o principal foi o carinho que o pessoal que acompanha o site tem pelo personagem. Mas o país tava numa época boa, economicamente falando, tinham poucos projetos no Catarse… Enfim, foi um pouco de tudo.

DEUS NO GIBI – Qual foi o retorno do leitor?
FÁBIO COALA – Eu tive muitos retornos positivos, alguns realmente tocantes. Isso acontece até hoje, seja pela leitura do livro ou relacionado ao monstro de pelúcia. Tem muitas histórias que envolvem perdas, doenças, reconciliação… Não vou citar nenhuma específica, mas posso dizer que já chorei muito mais do que fiz chorar.

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DEUS NO GIBI – Existe uma geração nova se dedicando aos quadrinhos – e tentando viver deles. Que dica você pode dar para quem está começando e em dúvidas a respeito da carreira?
FÁBIO COALA – Pouca gente no Brasil vive somente de “fazer quadrinhos em casa”. É muito comum descobrir que aquele cara do qual você é fã tem que dar aula, fazer trabalhos não tão legais para outras áreas e por vezes tem outro emprego que não tem nenhuma relação com arte. No geral, não é uma profissão que traga retorno rápido e abundante, então amar o que você está fazendo é fundamental.

DEUS NO GIBI – O que é que você lê, de histórias em quadrinhos?
FÁBIO COALA – Ultimamente tenho lido muito trabalho independente. Apoio quase que mensalmente 4 ou 5 projetos no Catarse. Mas gosto de Graphics Novels, histórias rápidas e fechadas. Hoje não leio nenhuma publicação em série.

DEUS NO GIBI – Se pudesse ter um super-poder, qual seria?
FÁBIO COALA – Poder voar deve ser bem legal, curar também… Sei lá.

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Conheça mais do trabalho do Fábio Coala em:
www.mentirinhas.com.br

E um pouco mais sobre o surgimento do Monstro nesta história, baseada em fatos reais:
www.mentirinhas.com.br/uma-luz/

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