ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

ANÉIS E ALIANÇAS

LANTERNA VERDE

O anel mais poderoso do universo foi uma criação de Martin Nodell e Bill Finger.

Ele surgiu nas mãos do primeiro Lanterna Verde, em 1940, como uma arma mágica. Quase vinte anos depois, em 1959, o anel ficou mais poderoso e o personagem ganhou nova identidade, na chamada Era de Ouro das histórias em quadrinhos americanas.

Foi Hall Jordan, piloto de avião, quem recebeu o anel cósmico de um alienígena moribundo. Jordan foi escolhido pelo domínio do medo e assumiu o posto de vigilante espacial do setor onde a Terra existe. Deveria reportar os seus atos aos anciãos do planeta OA e tomar cuidado com duas coisas. A primeira, a cor amarela, a única sobre a qual o poder de um Lanterna Verde não faz efeito. E a segunda, a recarga diária do anel energético, junto a uma bateria estelar. Se isso não for feito, a energia verde chega ao fim.

Hall Jordan chegou a ser substituído por John Stewart, Guy Gardner e Kyle Rayner antes de perder a sanidade e tentar conquistar para si todo o poder dos Lanternas Verdes. Hall queria ter todos os anéis, mas nenhum dos compromissos que eles traziam.

Intervalo para outra história.

O jovem casal viajou de férias para o litoral. Em uma cidade pequena, encontraram uma praia paradisíaca, daquelas das fotos do Instagram ou de revistas de viagem. Um dos passeios era mergulhar junto a um recife próximo à orla. Apesar da água turva, era possível enxergar os peixes nadando junto as pernas.

Decidiram nadar até lá sem a ajuda de boias ou flutuadores. No meio do caminho, cansados, prosseguiram com as mãos dadas, num trecho fundo, sem apoio para os pés. Nadando com apenas com um braço, o rapaz puxou a moçar até o primeiro ponto onde poderiam subir e descansar. Na última braçada, porém, depois que ela já estava segura, a aliança de casamento do jovem saiu do dedo, e afundou no mar.

Talvez você não entenda que uma aliança não se trata apenas um anel. É o símbolo do casamento. E, dentro de um mês, o casal estaria completando um ano de união.

Havia um significado muito grande naquele fino pedaço de ouro que afundava. O marido quis mergulhar para recuperar a aliança. Desistiu diante do apelo da mulher.

Ela não tinha medo de ficar sozinha ali, sabia que conseguiria, com esforço, voltar à praia – mas sabia também que quem iria correr o risco de morte seria ele, ao tentar mergulhar por dois, três metros de profundidade, sob pouca visibilidade.

O jovem abriu mão do anel, com a alma em pranto. Perdeu-o no fundo do oceano. E ficou o resto do dia imaginando onde poderia estar, ou se uma onda traria-o de volta.

Caminhando à beira-mar, entendeu o que Deus estava lhe mostrando. Ele havia perdido o anel, mas não a aliança de amor que havia feito. Era tão somente um símbolo e teriam a chance de comprar outro.

Assim como essa, existem outras alianças – espirituais, do coração – que já fizemos com Deus.

Promessas de fervor, devoção, oração, estudo, humildade… A maioria foi levada pelas águas da rotina, e afundou. Perdidas para sempre. E não tivemos sequer o desejo de mergulhar atrás delas, ou arriscar a vida em honra ao compromisso.

Às vezes, é preciso pedir a Deus perdão por tantas alianças que sequer sentimos escorregar das nossas almas, e que afundam no oceano turvo do viver.

Como um Lanterna Verde desprovido da arma que poderia salvar o universo, aquele jovem marido da história acima sofreu até conseguir outro anel de ouro representasse seu pacto de amor. O novo anel veio, semanas mais tarde.

E como aquele empunhado por Hall Jordan, esse parecia recarregado de uma energia também. Energia de amor. Talvez tenha sido assim que o pastor da parábola sentiu-se ao recuperar a ovelha que se perdeu. Ou Jesus, ao ver a conversão de Paulo, perdido até então em uma falsa religiosidade.

Hall Jordan pode já ter morrido, nos quadrinhos, porque desprezou o valor da aliança que tinha com sua missão.

Nós, contudo, podemos pedir ao Pai que não nos deixe, jamais, passar por isso. Não queremos nos sentir independentes dEle, nem auto-suficientes. Pelo contrário; que todos os dias possamos recarregar a fé na bateria da Graça de Deus.

 

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