ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

ENTREGA


HOMEM-ANIMAL

Buddy Baker tem o poder de absorver as habilidade de qualquer ser vivo que esteja perto de sí, da força de um gorila à capacidade de saltar das pulgas. Esses talentos não transformam seu corpo. Mas se tiver um braço decepado, Buddy pode usar o poder de regeneração de uma minhoca, e ganhar um novo membro.

Com essa dádiva vinda de alienígenas, um uniforme laranja, o “Homem Animal” faz parte do mesmo universo de Batman, Super-Homem, Mulher Maravilha e toda a Liga da Justiça – a qual chegou a integrar. A diferença é que algumas das histórias desse herói estão entre as melhores dos quadrinhos, trazendo conflitos éticos e uma relação com a defesa dos animais. Até a defesa do bicho homem.

Assim sendo, Buddy já lidou com a crueldade no trato das cobais de laboratório e com a crueldade das guerras civis, com a defesa dos seres enjaulados em zoológicos e a defesa das mulheres e crianças vítimas da violência doméstica.

Isso porque, mais do que absorver as habilidades das criaturas, o Homem Animal se coloca no lugar delas.

Não é um vigilante à margem do problema, apenas observando. Ele se envolve, interfere nas situações. Se os seus companheiros justiceiros não querem tomar posição num conflito na África do Sul, é problema deles. Buddy vai se juntar ao lado mais fraco, das vítimas.

Fica claro, nas suas aventuras, que ele é mais do que um homem se passando por animal. É o homem que consegue ver seus semelhantes de raça como bichos também, sem nenhuma diferença das criaturas que lhe concedem talentos. Nesse caso, sua busca é pela racionalidade e razão perdidas, a real habilidade do bicho homem.

As aventuras de Buddy Baker são assinadas por grandes nomes dos quadrinhos, como Carmine Infantino e Grant Morrison. É de Morrison uma das fases mais cultuadas do personagem, em especial pela aventura “O Evangelho do Coiote”.

Nessa história, uma figura monstruosa tenta fugir, pelo deserto, de um caçador que o persegue. O caçador acredita que sua vida desmoronou desde que avistou e atropelou essa criatura, numa rodovia, em um outono. Seguindo uma trilha, ele alcança a figura – um coiote humano.

O caçador acerta um tiro no coiote, que desaba por um precipício. Mas o ser não morre, e o caçador decide jogar uma pedra sobre ele. Uma nuvem de poeira surge. O coiote se levanta novamente, e cai numa armadilha, quando uma bomba explode sob ele. E ainda não morre…

A comparação com os desenhos animados do gênero do Papa-léguas está mais do que clara no cenário, na crueldade, no clima e na ressurreição. Até que surge o Homem-Animal, tentando salvar o coiote da tortura eterna do viver-morrer. A criatura entrega, ao herói, uma carta onde está escrito “O Evangelho do Coiote”. Essa narrativa, em estilo infantil, o ser conta que um dia, no mundo do desenhos animados, o coiote se cansou de viver com tanta violência e perseguição entre as espécies. Procurou o criador, o desenhista supremo, e disse que não prosseguiria nessa vida. Ganhou o castigo de caminhar no mundo dos humanos, como uma fera odiada, e à rotina do viver-morrer.

A história termina com o coiote assassinado pelo caçador, vertendo nanquim ao invés de sangue, numa encruzilhada, de braços abertos – crucificado. E Buddy, o Homem-Animal, nada pode fazer para salvar a criatura.

O coiote, fica claro, não era um inimigo. Era um salvador, que desceu do seu mundo para morrer aqui infinitas mortes porque se recusou a viver sob a violência do mundo original.

Essa história nos leva até outra, a do médico missionário Claude Brown, que há muitos anos viajou para a Shaoning, na China, para trabalhar com os pobres. Brown descobriu uma doença desconhecida, sem cura. Por causa dela, muitos estavam morrendo, e ele nada podia fazer.

Sem equipamentos de pesquisa para trabalhar em Shaoning, o médico tomou uma decisão arriscada. Coletou toda informação possível sobre a doença no campo e embarcou, num navio, para os Estados Unidos. Quando se aproximou de Nova York, Claude Brown injetou em sí os germes que estavam causando a doença misteriosa na China. Rapidamente, ele desenvolveu todos os sintomas e ficou muito doente.

Foi levado para o hospital, onde seu caso foi plenamente estudado. Claude explicou que procedimentos havia tomado, qual os motivos que o levaram a isso, e conseguiu ser curado. Restabelecido, voltou à China levando o antídoto para a doença e salvou diversas pessoas contaminadas – e outras incontáveis vidas que poderiam vir a desenvolver aquela doença.

O Homem-Animal, o coiote e Claude Brown.

Assim é que o Filho de Deus se entregou por nós.

Jesus, como homem, experimentou as nossas fraquezas e os nossos dilemas, tal qual Buddy Baker no seu papel de herói. Foi assim que o Salvador compreendeu a alma humana e manifestou sua expressão maior de dádiva – a entrega na cruz.

Como o coiote do evangelho escrito por Grant Morrison, Jesus deixou a Glória suprema para caminhar entre aqueles que o odiaram. E não o fez como um castigo, como aquele dado pelo desenhista supremo. Foi uma entrega por amor.

A atitude de Claude Brown, arriscando sua vida em favor dos chinenes, é emblemática. Porque se Jesus sabia da sua missão e que Sua morte terminaria na vitória da ressurreição, Brown não tinha nenhuma certeza de que a sua contaminhação voluntária com os germes da doença serviria para algo, que não fosse matá-lo. Era uma entrega incondicional.

O conteúdo do Evagelho é isso.

A história de uma entrega profunda, que transforma vidas.

Baixar em PDF