ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

ESPADAS DE ONTEM, HOJE E SEMPRE

A arma mais nobre se popularizou entre os guerreiros tão logo a humanidade aprendeu a dominar a fundição. A espada foi aperfeiçoada de civilização em civilização, com modelos longos e curtos, e lâminas de diversas composições e formatos. Exércitos empunhando essa arma conquistaram cidades, reinos e povos.

Até hoje uma espada exerce fascínio, ainda que seja em arsenais e uniformes dos militares – que efetivamente dão o devido valor a ela. No esporte, as provas de esgrima sempre ganham destaque nas olimpíadas. E quem luta Kung-Fu pode aprender, ainda em nossos dias, a manusear uma.

O sabre de luz

No cinema, tudo mudou quando as versões de energia surgiram no primeiro filme da série “Guerra nas Estrelas”, em 1977. Desde então, as crianças não queriam mais lutar como finos sabres de metal dos mosqueteiros ou do Zorro. O sonho era um sabre de luz, poderoso, que levaria à vitória sobre o Império. Mais tarde, nos anos 1980, duas espadas faziam sucesso nos desenhos animados. E muita gente não se esquece delas.

Afinal, que criança naquela época nunca levantou um cabo de vassoura ou um pedaço de madeira, sobre a cabeça, e gritou: “pelos poderes de Grayskull!”? Era a hora do príncipe Adam se transformar em He-Man, empunhando a Espada do Poder. O que muita gente não sabe que é que, no conceito original desse universo de brinquedos, a espada do herói era só metade de uma arma mais poderosa. A outra parte estaria em poder do cruel Esqueleto. Tanto que as armas em miniatura, que acompanhavam os brinquedos dos dois personagens, se encaixavam, lado a lado, formando o artefato poderoso.

A espada justiceira

A outra lâmina poderosa era a Espada Justiceira (ou “Espada de Omens”, no original), do ThunderCat Lion-O. Essa arma tinha quase vida própria no desenho animado, tamanha a sua importância. Pra começar, ficava guardada, em um tamanho reduzido, numa fantástica luva de garras! Depois, crescia até o tamanho original quando Lion-O a bradava pelo ar. E ainda tinha diversos ‘poderes’, por meio da joia conhecida como “Olho de Thundera”: a espada podia convocar os demais ThunderCats projetando um sinal de emergência luminoso, disparava rajadas de energia, voava pelo ar e ainda fornecia a “visão além do alcance” – que mostrava o que estava acontecendo em outro lugar, em tempo real!

Mas não eram só essas aventuras com espadas, não, na televisão daquela década.

Ainda tinham as espadas do Blackstar e de Thundarr, o Bárbaro. Os dois eram versões de Conan, o herói dos quadrinhos. O Blackstar tinha uma espada prismal, longa e pontiaguda, que parecia ser feita de cristal – e também havia uma outra metade, nas mãos de um vilão. Já a de Thundarr era formada só por uma empunhadura e um guarda-mão. A lâmina aparecia depois, na forma de um grande chama de energia.

Thundarr, o Bárbaro

Até nas aventuras de guerra dos soldados GI Joe, os Comandos em Ação, entre tiros e bombas, apareciam espadas nos duelos entre o ninja Snake Eyes e seu arquirrival, Storm Shadow.

Nos quadrinhos da DC Comics, talvez uma das mais famosas seja a “Devoradora da Almas”, empunhada por Katana (que curiosamente, é o nome de uma espada japonesa). A heroína, que já fez parte dos Renegados e do Esquadrão Suicida, carrega esse artefato como uma maldição. É que a espada tem o poder de aprisionar a alma de quem morre por sua lâmina – e faz com que Katana possa ouvir os mortos.

A Mulher Maravilha, que é da DC, também passou a usar uma espada na sua versão para o cinema. E logo a mudança chegou aos quadrinhos. Entre os vilões, quem melhor sabe usar uma espada é o Exterminador.

O Cavaleiro Negro

Já na Marvel, o herói que empunha uma lâmina é o vingador Cavaleiro Negro. Ele usa a Espada de Ébano, que é capaz de absorver energia e atravessar quase todo material existente. Porém, se for usada para matar alguém, a espada pode corromper quem a empunha – levando-o a matar outras pessoas. Do lado dos vilões, tem até um que se chama Espadachim.

Na literatura, existe muito mais que a clássica Excalibur, da época do Rei Arthur.

Há muito o que aprender, por exemplo, com história da espada de Dâmocles.

Conta-se que cerca de 300 anos antes de Cristo havia um conselheiro do rei Dionísio. Esse homem, invejoso e bajulador, teve a chance de ocupar o trono por um dia. Achou sensacional ter toda a fartura e serviçais à disposição.

Até que reparou que, sob o trono, havia uma espada pendurada com a lâmina para baixo e sustentada por um fio muito fino. Assustado, chamou o rei:

“- Essa espada! Essa espada! Você não a vê?

– Naturalmente eu a vejo – respondeu Dionísio – Eu a vejo a cada dia. Sempre pendurada sobre minha cabeça, e há sempre a possibilidade de alguém ou alguma coisa cortar a fina linha. Talvez um de meus próprios conselheiros passe a ter inveja de meu poder e tentará matar-me. Ou alguém pode espalhar mentiras sobre mim, para virar todo o povo contra mim. Pode ser que um reino vizinho envie um exército para conquistar este trono. Ou eu posso tomar uma decisão estúpida que trouxesse minha queda. Se você quiser ser um líder, você deve estar disposto a aceitar estes riscos. Vêm com o poder. Você entende?”

Já o moderno autor japonês Kazuo Ishiguro, vencedor do Nobel de literatura de 2017, foi quem conseguiu capturar, de forma detalhista, as nuances de um duelo de espadas. No final de “O Gigante Enterrado”, ele narra um duelo de espadas com maestria:

“A princípio, os dois homens seguraram suas espadas apontadas para baixo, a fim de não exaurir seus braços. De onde estava, Axl via a posição dos dois com clareza: a no máximo cinco passos de distância de Gawain, o corpo de Wistan inclinava-se levemente para a esquerda, para longe do adversário. Eles mantiveram essas posições por algum tempo; depois, Wistan deu três passos lentos para a direita, fazendo com que se tivesse a impressão de que seu ombro esquerdo não estava mais protegido pela sua espada. Mas, para tirar vantagem disso, Gawain teria que transpor aquela distância com extrema rapidez, e Axl não ficou surpreso quando o cavaleiro, olhando com ar acusador para o guerreiro, moveu-se ele próprio para a direita com passos cuidadosos.” (capítulo 15)

 

Blackstar

A Bíblia também tem centenas de menções a uma espada.

A primeira aparece logo no princípio da criação, quando Adão e Eva são expulsos do paraíso: “Colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movia, guardando o caminho para a árvore da vida.” (Gênesis 3:24)

Uma outra espada foi entregue a Davi – que a recusou e derrotou Golias com apenas uma atiradeira e pedras: “Assim Davi venceu o filisteu com uma atiradeira e uma pedra; sem espada na mão, derrubou o filisteu e o matou.” (1 Samuel 17:50)

Tem mais. Foi sobre uma espada que Saul se matou (1 Samuel 31:4). Em Provérbios, Salomão deixa claro de onde vem a expressão ‘língua afiada’ (Provérbios 12:18). A multidão que enfrentou Jesus estava armada de varas e espadas (Mateus 26:47). Pedro tomou uma delas para defender Jesus – e cortou a orelha de um homem (Mateus 26:51). E foi com uma espada que o rei Herodes mandou matar Tiago, irmão de João (Atos dos Apóstolos 12:2).

A Espada do Poder

E também uma espada foi a figura escolhida pelo apóstolo Paulo para ilustrar qual é arma do cristão: “Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.” (Efésios 6:17)

Paulo poderia ter escolhido a figura de uma lança, que permite um ataque à distância. Ou de um arco e flecha, que pode atingir alguém que está ainda muito longe – e que é a arma do inimigo. Ou ainda um machado ou qualquer outro armamento da época. Mas foi à espada que recorreu.

Porque a Bíblia nos traz tudo que as espadas de faz-de-conta prometem: ela nos conduz à vitória sobre qualquer império do mal, carrega a sabedoria de gerações de servos do Senhor que já deixaram esse mundo, é capaz de transformar qualquer ser franzino num guerreiro de poder e dá-nos uma visão muito além do nosso alcance. E foi alguém – Paulo – que conhecia muito bem a eficácia de uma espada que declarou: “A palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hebreus 4:12)

Crendo que Deus é poderoso, só pela graça não somos exterminados. É como se ela fosse um fio muito fino, que sustenta a justiça do Senhor sobre nossas cabeças de forma milagrosa e misericordiosa – à semelhança da espada de Dâmocles. Estávamos condenados à morte, se não fosse pelo amor do Senhor.

Não importa se a sua espada está presa no coldre por tão pouco uso, enferrujada e sem corte. Ou se você tem pouca familiaridade com ela. Empunhe-a agora. Retome seu treinamento, aperfeiçoe-se nela. Permaneça preparado e em forma, para qualquer combate. A palavra de Deus é a única arma que vai te fazer vencer. Ore ainda hoje, e abra sua Bíblia. Deixe Deus falar contigo.

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