ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

O MONSTRO QUE HABITA EM NÓS

 

Existe um monstro que mora dentro de você.

Ele não aparece quando você se olha no espelho. Também não pode ser visto na sua carteira de identidade, nem na tomografia mais complexa. E nem adianta tentar um flagra com o celular. Isso porque você e ele dividem o mesmo corpo.

Não dá para dizer quando é que essa criatura surgiu pela primeira vez na sua vida, nem quando ela tomará o controle do seu comportamento. Mas o monstro está lá, dormente, esperando a hora de aparecer.

Para despertá-lo, não precisa muito. Pode ser uma imagem, uma cena do cotidiano, uma frase lida nas redes sociais, uma conversa, um desejo incontrolável, um momento de stress, um trauma… coisas simples ou complexas, não há muita lógica. Mas, o que importa? Esse ser que habita você também não vive pela lógica. Às vezes, ele dá as caras de forma grossa, selvagem, sem controle. Em outras, de maneira irônica, cheia de veneno, preconceito ou raiva – e tão brutal quanto.

Talvez você nunca tenha dado conta que ele esteja aí. Na verdade, esse monstro existe desde que você nasceu. É uma herança, e não pode ser passada para outra pessoa. Os atos desse monstro podem até contaminar os outros, mas isso não faz com que você fique livre definitivamente.

Pelo menos até “aquele dia”. O “dia definitivo”, no qual todas as pessoas terão a chance de se livrar dessa criatura para sempre. Como se fosse uma cirurgia de proporções globais, para expurgar um tumor generalizado. Mas não é um câncer do corpo, não. Esse é um câncer da alma.

Tem gente que não gosta de falar do câncer quando está doente, durante o tratamento. No meio cristão também é assim; existe vergonha ou preconceito. Cristãos preferem adotar títulos mais honrosos e menos “religiosos” para falar desse tumor, desse monstro, com medo de ofender o próximo.

Entretanto, não há motivo para disfarçar. Afinal, o ser que habita de você é a união do que existe de pior no seu comportamento e no seu pensamento. Ação e intenção, juntas ou não, com terríveis conseqüências.

Chega de mistério. Seja apresentado ao seu lado “pecador”.

Não entendeu ainda? Então vamos falar do Incrível Hulk. Sim, aquele personagem verde criado por Stan Lee, famoso nas histórias em quadrinhos e levado para o cinema e televisão em uma dúzia de adaptações. Na Terra ou no espaço, em qualquer dimensão onde seja colocado, o Hulk é uma criatura alimentada pela raiva. Quanto mais bravo, mais forte.

O alter-ego do Hulk é Bruce Banner, um cientista que passa a se transformar na criatura verde nos momentos de tensão, depois de ser atingido acidentalmente por um dose gigantesca de radiação gama. O acidente sofrido pelo doutor Banner nada mais fez do que dar vazão – e forma – para sua personalidade monstruosa. Por isso, ele jamais vai ficar super-afetuoso, super-humilde ou super-gentil. Apenas super-irritado. E quando isso acontece, a capacidade intelectual do cientista desaparece.

É como o nosso lado “pecador”.

Desde que nascemos, trazemos a marca do pecado original, de Adão. Sofremos com o erro do primeiro homem, e não merecíamos nada mais que a morte, se não fosse a Graça de Deus. Por ela fomos salvos, por meio do sacrifício de Jesus Cristo.

Vivemos diariamente na dependência desse favor que não merecíamos. E, pela graça, somos constrangidos a uma vida de paz, harmonia, amor e perdão. Até que passemos por situações que nos desestabilizam. Então, da mesma maneira que o doutor Banner, perdemos as rédeas de nossa vida, e quem passa a agir é um outro “eu”.

Não temos controle do que acontece em seguida, somos conduzidos pela natureza original. Só quando a situação chega ao fim, nos damos conta do que fizemos. Quanto estrago…

“Quando ele se apodera de mim… eu gosto”, já disse o doutor Banner, em uma história. Isso também acontece com a gente. Porque ninguém toma uma atitude pecadora porque ela é ruim. Somos motivados pelo prazer, mesmo momentâneo, trazido pelo pecado.

As conseqüências, porém, duram muito mais.

Quando o Hulk desaparece, e Bruce Banner volta ao comando, sobrou um rastro de destruição por onde ele passou. Vidas foram ceifadas, propriedades destruídas, famílias traumatizadas, o medo disseminado.

Na vida cristã, quando o nosso monstro “pecador” desaparece, sobra um rastro de tristeza, arrependimento e culpa. O peso nos ombros é enorme, parece que vai nos afundar no chão. Amizades construídas por um longo tempo, foram destruídas. A confiança acumulada durante uma vida inteira, foi abalada. E a nossa fraqueza revelada, trazendo humilhação.

O doutor Banner não encontrou, até hoje, um cura para acabar o monstro verde que habita dentro dele.

Porém a Bíblia fala de uma cura para a criatura que existe dentro de nós. Está em Romanos 6, verso 14 – “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça”. Há uma esperança para o cristão, e uma garantia de libertação da destruição que o pecado traz.

Que a Graça do Altíssimo controle nosso monstro “pecador” diariamente, fazendo-o enfraquecer cada vez mais e diminuindo sua influência sobre a nossa vida.

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