ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

O TESTEMUNHO DO PICA-PAU

Ligue a televisão e você vai encontrá-lo, mais cedo ou mais tarde. Tem sido assim desde que o Pica-Pau foi criado, em 1940. Cabelo vermelho, penas azuis e brancas, bico amarelo e uma personalidade única! Houve um tempo em que duas emissoras de TV brasileiras exibiam, ao mesmo tempo, versões diferentes dos desenhos dele, na disputa pela audiência. Dava até pra ouvir, soando pelo país, o mesmo grito de guerra: “ê-ê-ê-ê-ê”.

Na versão mais antiga, o Pica-Pau é um desmiolado, que se mete em confusão e gosta de incomodar o vizinho. Já as novas apresentam uma família completa, com parentes, amigos, uma vida urbana e até aventuras espaciais. Por último, inventaram até um filme, com atores reais dividindo a tela com o passarinho. Mas a essência é sempre a mesma. E a constatação, uma só: antigos personagens tem grande chance de fazer sucesso.

Assim sendo, em breve vão convidar o Pica-Pau para visitar uma Igreja perto de você.

Deve ser num domingo, com o templo cheio de membros e visitantes. Ele vai chegar e se sentar ao lado do pastor e do dirigente do culto. Vamos ver a curiosidade nos rostos e uns cochichos na congregação. Na hora apropriada, vão passar a palavra para ele, e o Pica-Pau vai dar seu testemunho de vida.

Vai dizer como fez muito sucesso desde que era jovem e sem muita sabedoria, e como trazia sorriso aos rostos das crianças e adultos. Contará histórias como a vez que tentou descer as cataratas dentro de um barril. Ou de quando foi perseguido por uma bruxa, que subia em uma vassoura e dizia: “E lá vamos nós!!!”.

“Tá amarrado!”, clamarão alguns. O Pica-Pau também lembrará de um período em que ficou no limbo, abandonado, até que resolveram ressuscitá-lo – talvez ele se compare até a Lázaro!

O Pica-Pau dará um brado de vitória quando encerrar o testemunho e a congregação responderá com um sonoro “amém”, porque só os céus poderiam derramar tanta benção a alguém.

Com o Pica-Pau no culto, teremos o momento de adoração com a participação de um ministério de dança. Que é novo em algumas igrejas, mas velho na Bíblia. Para introduzir o ministério de dança, o Pica-Pau vai trazer o shofar, aquele chifre de carneiro. “Uau, que berrante invocado!”, dirão os irmãos do interior. Mas isso não tem nada de novo, porque lá no Antigo Testamento – aquele, o Velho Testamento – também havia um chifre como esse.

Alguém vai pedir para o Pica-Pau ficar na saída do templo, cumprimentando as pessoas, e ungindo algumas com óleo na testa. Como feito em Israel. E vão pedir que ele volte outro dia para fazer um apelo pelos refugiados – aqueles, que a Bíblia já nos mandava cuidar.

E … bem…. isso quer dizer que não há nada de muito novo por aí… Nem dentro, nem fora da Igreja.

O próximo carro a ser lançado é uma versão daquele que existe há mais de uma década e de novo mesmo tem pouca coisa. E os jornais falam de uma escola de samba que encantou a platéia este ano apresentando uma releitura de um samba que é antigo. O conjunto X relançou as músicas com as quais fez sucesso há vinte anos. Na hora de assistir televisão a cabo, tem um canal que anuncia as suas vantagens: “aqui você só vê seriados antigos”. Ei! Também não é só isso que temos em grande parte das emissoras, uma centena de reprises?

Releituras, modernizações, versões, novidades que não são novas. Temperos que tentam dar novo gosto ao que achamos ultrapassado, velho, e que nos agrada por um breve instante. Breve sim, porque o Pica-Pau logo vai cansar o público, de novo. Até o seriado Chaves já entrou e saiu do ar tantas vezes…

Nas igrejas, logo o grupo de dança vai cair na rotina. O shofar vai ser esquecido. A unção disso ou daquilo vai ser superada. E até dos refugiados vão esquecer. Como um carro que fica fora de linha e o seriado novo que já vai parar na sessão “retrô”.

Será que os conceitos se esgotam? Se não, onde a inspiração foi parar?

A mudança que queremos, precisa brotar a partir das nossas vidas.

É preciso buscar menos o shofar. E mais o chocar, provocar, protestar contra um sistema que torna a adoração cada vez mais rasa e turva.

Chega de testemunhos, como o do Pica-Pau. Nós é que precisamos testemunhar vivendo o que cremos e crendo naquilo que buscamos viver.

Mudam as relações, mas os sentimentos são os mesmos, os conflitos não se alternam. Nossos defeitos até mudam de nome, e um dia já foram chamados de pecado. E nossos pecados hoje nem são mais chamados assim, viraram falhas de caráter, imperfeições.

O que nos conforta? A certeza de que tem algo que não poderá jamais ser alterado. “Eu, o Senhor, não mudo” – Malaquias 3:6. Deus não cabe em nova roupagem, versão ou repaginação. É único, clássico na sua essência.
Por isso, não se deixe levar por qualquer conceito de “novidade”. Nem que seja preciso receber o Pica-Pau na sua Igreja, para manter seu coração atento.

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