ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

O VIGIA E A SUA VIDA NO ‘VAR’

A grande novidade da Copa do Mundo de 2018 ficou do lado de fora dos gramados. Foi a utilização experimental do VAR, o assistente de vídeo, que ajuda os juízes na checagem de lances duvidosos. Detalhes que passam despercebidos, numa jogada, podem ser revistos, ampliados e discutidos. Ao que tudo indica, o Video Assistant Referee veio para trazer uma arbitragem mais honesta e justa.

Não demorou pra muita gente pedir um VAR também para a vida:

“Alguém me ajude a rever as escolhas que fiz, e se foram intencionais?”
“Eu disse pra minha namorada que não tinha mentido, e que ela podia confirmar no VAR!”
“Cadê os juízes que ficam naquela salinha pra dizer se dei motivo pra ser demitido?!”
“Não acredito em mais nada do que dizem, só se tiver imagem do VAR…”

Na falta das câmeras de vídeo, sobram alternativas para essa checagem. Pode ser um print de conversa de Whatsapp, Telegram ou Messenger. Depois, é só enviar a cópia para um grupo de conhecidos – os ‘juízes’, que vão avaliar se você está certo, se errou no comportamento ou analisou a situação de forma errada. Daí, é lidar com a punição ou a absolvição.

A escritora Nina Lemos disse que participa de um grupo de WhatsApp “que é a própria salinha do VAR”. “Mando meus prints, amigos mandam o juízo: ‘Pronto, arrasou’. Ou: ‘Tá, mas agora chega’. O que significa, mais ou menos, ‘você já deu um meio barraco’.” Para ela, o que queremos do VAR da vida é saber se demos ou não as respostas merecidas ou se ‘arrasamos’ no final de uma discussão. E vereditos simples, como: ‘sim, você foi grossa’ ou ‘sim, ele disse vamos nos ver’.

Nos quadrinhos da Marvel, o VAR existe desde 1963 – e sem precisar de dezenas de câmeras de vídeo e juízes.

É que lá na Área Azul da Lua mora o Vigia, chamado Uatu. Um ser enorme, cabeçudo, e uma das espécies mais antigas do universo. Ele é tão evoluído que tem a função, unicamente, de vigiar. Tudo que faz é observar o desenvolvimento da humanidade, com olhos que enxergam em todo lugar e ouvidos que a tudo ouvem.

Mas, por que ele, ao contrário dos juízes do VAR, não pode agir no curso da história? Segundo os criadores do Vigia – Stan Lee, Steve Ditko e Jack Kirby – essa raça se desenvolveu a um ponto extremo e fez um voto de não interferir no curso natural das coisas, por pior que sejam as situações. Bem, nem sempre… porque o Uatu, nos quadrinhos, já tomou algumas atitudes.

Essa história de uma vida toda ‘vigiada’ também nos leva a pensar como iremos prestar contas a Deus, de tudo que já fizemos ou faremos. Afinal, o Senhor – mais que o Vigia – tudo ouve e tudo vê, até dentro do nosso coração. Salomão diz que “Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (Eclesiastes 12:14-14).

Já Paulo, fala do dia “em que Deus julgará os segredos dos homens, mediante Jesus Cristo” (Romanos 2:16).

Jesus fala, ainda, do dia em que os justos questionarão: “Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?”. E o Senhor responderá: “quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:35-45).

Mas… como será esse julgamento? Como num VAR, com todos os momentos da nossa vida passando, em replay? E Deus analisando um a um, diante de nós, antes de emitir um juízo? Será que vai ter platéia, e todo mundo vai poder assistir os momentos mais íntimos e secretos que tivemos?

Ou será pela obra completa da nossa vida, como um todo, sem análise das ‘jogadas polêmicas’? Se for assim, não é preciso nem mostrar o VAR inteiro, só um imagem geral!

Ou será, talvez, que não teremos julgamento algum, pela Graça de Deus? Perdoados, pelo sangue de Jesus, que nos redime, entraremos direto pelas portas celestiais?

Na letra de “O Sonho”, Stênio Marcius imagina o dia em que, depois de haver morrido, chega aos portais do céu:

“Alguém entregou para o anjo
Registros que eu reconheci
Compêndio de todas as leis que eu quebrei
E os pecados que cometi.
O anjo olhava os registros,
Visivelmente assustado.
E me perguntou: “Foi assim que viveu?”
Eu então respondi que sim.
“Então como é que você tem coragem de vir nessa porta bater?”
Eu disse: “Olhe bem no final dessa lista,
Você reconhece esta letra?”
E o anjo sorrindo me disse:
“É verdade, o Rei escreveu ‘PERDOADO’.”

Nem é preciso o árbitro de vídeo para saber que, sim, erramos. Sim, pecamos. Sim, traímos o amor do nosso Deus – e o amor dos nossos semelhantes. Sim, temos uma infinidade de episódios terríveis que podem ser revistos, à exaustão, no VAR, e nos condenar.

A questão é: como reagir? Rolar pelo chão e chorar, como o Neymar depois de uma jogada bruta? Brigar com o juiz? Negar o que as imagens mostram? Ou aprender a lidar com nossos erros e frustrações, sustentados pela graça de Deus?

O VAR pode ter facilitado o trabalho dos juízes de futebol. Mas só tem um juiz que, ao ver nossos erros, nos lances da vida, é capaz de nos perdoar e determinar que o jogo siga adiante. E, pelo sangue de Jesus, a nossa vitória já está garantida.

 

Para WILL LEITE, vai ter até pipoca na hora do juízo…

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