ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

OH VIDA, OH CÉUS… ISSO NÃO VAI DAR CERTO!

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HARDY

Eles estrearam na televisão americana no começo da década de 1960 – em plena época da rebeldia do rock e de efervescência cultural. O leão Lippy e a hiena Hardy trouxeram alegria para muitas crianças daquela época – brasileiras também, anos mais tarde.

A dupla de personagens, criada pelos estúdios Hanna-Barbera, viaja pelo mundo em busca de uma vida fácil, sucesso e fortuna. Lippy é um otimista nato. Acredita que tudo vai dar certo, que o vento sempre sopra a seu favor e que a sorte sorri para ele todas as manhãs. Já Hardy, não pensa assim. É um pessimista, que não só espera o fracasso, os problemas e as tragédias. Porque, segundo ele, se alguma coisa tem chance de dar errado, então vai ser assim.

É dele um dos bordões mais conhecidos dos desenhos animados: “Oh vida, oh céus, oh azar… isso não vai dar certo!”. A versão brasileira para o texto original “Oh me, oh my, oh dear” é muito mais emblemática que a fala em inglês e foi narrada, como tudo de Hardy, por ninguém menos que Lima Duarte.

Prato cheio para estudiosos da psiquê, o desenho apresentaria um quadro clínico de depressão nervosa crônica e profunda. Para Hardy (que significa “pesado”), a vida é um fardo difícil de se carregar. Nada lhe dá prazer, nada lhe motiva. Enquanto a fisionomia de seu amigo, Lippy, é sempre efusiva e alegre, a de Hardy é triste e melancólica. Sequer consegue manter o corpo ereto. A hiena está sempre corcunda, prostrada.

Dá para imaginar que a personalidade de Hardy foi inspirada numa pessoa que você conhece. Aquela que vive lamentando a falta de oportunidades e se acha perseguida – pela família, pelos amigos, pela sociedade, pelo chefe ou por todo mundo. Uma pessoa que já não consegue reunir forçar para sair da sombra da derrota. Ou que, numa profunda depressão, não deixa a cama ou o quarto. Amarguradas com a vida, decepcionadas com cada minuto de sua existência. Sem resposta para seus dilemas, sem explicação para as injustiças que sofreram.

Conhece alguém assim? Ou encontra essa pessoa toda vez que se olha no espelho?…

Essa também foi a situação de Elias, um dos profetas do Antigo Testamento. A cabeça dele estava a prêmio, depois de manifestar o poder de Deus e vencer 400 profetas da rainha Jezabel. Cansado, física e emocionalmente, Elias teve medo. E preferiu morrer – “Foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor dos que meus pais” (I Reis 19:4).

Então, o Senhor ouve aquele clamor e percebe um coração sem esperança. À sombra daquela árvore, Elias era como qualquer um de nós, porque a depressão, a melancolia e o medo só não ameaçam quem já está morto. Qualquer pessoa pode passar por essa experiência traumática. Já o otimismo eterno de Lippy, do desenho, está mais para fruto de nossa imaginação.

Os exemplos da Bíblia vão além. Jonas ficou deprimido com a bondade de Deus a favor dos moradores de Nínive (Jonas 4:2). Jeremias era tão angustiado que escreveu um livro só a respeito de suas lamentações – “Tirou-me a paz; esqueci-me do que seja a felicidade” (Lamentações 3:17).

Gente como a gente, caminhando na sombra, suspirando. Gente como… Jesus.

Em determinado momento de Sua vida, o Salvador havia saído de Tiro e seguia para o mar da Galiléia e a região de Decápolis. Então, algumas pessoas levaram até ele um homem surdo e que mal podia falar. Era mais um, entre tantos, conduzidos até Cristo, em busca de cura.

Mas esse, veja só, Jesus levou à parte. Tocou seus ouvidos e colocou cuspe em sua língua. Depois, conforme o relato, “voltou os olhos para o céu e, com um profundo suspiro, disse-lhe: “Efatá!”, que significa “abra-se!”. Com isso, os ouvidos do homem se abriram, sua língua ficou livre e ele começou a falar corretamente.” (Marcos 7:31-35)

Talvez não tenha havido um sorriso, nem uma expressão mínima de alegria da parte de Jesus. A descrição está mais para a tristeza, a raiva de ver a condição humana. E nessa hora o Salvador tem energia para apenas um suspiro. Era como se Ele dissesse: “Oh vida, oh céus…”. Ou “esse povo precisa de muita libertação”. E até ainda “por que tanto sofrimento?”

Um suspiro, como se fosse eu, como se fosse você.

É por isso que podemos clamar pelo socorro do Salvador. Porque Ele conhece o peso que recai sobre nossos ombros. Porque Ele carregou as nossas ‘enfermidades’. Ele compreende a dor fulgurante da depressão, da angústia, da tristeza.

Ele nos conhece tanto a ponto de saber que muitos de nós levarão um tempo grande para se livrar desse peso nos ombros. Com auxílio clínico, médico, e espiritual, podemos reduzir nosso grau de melancolia e tristeza. Nessa hora, podemos trocar o peso dos nossos ombros por outro, mais leve.

“Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. (…) Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve.” (Mateus 11:28-30)

E assim, mesmo que os ventos da vida não soprem sempre a nosso favor, que a ameaça do fracasso bata sempre à nossa porta, será mais fácil encarar a vida.

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