ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

PEDRAS QUE FALAM

DONA PEDRA

Antes da Mônica, do Cebolinha, do Cascão e do Chico Bento, tinha apenas o Franjinha e o Bidu. Esses dois foram os primeiros personagens que Maurício de Sousa publicou em uma tirinha de jornal. Isso foi lá no ano de 1959! E mesmo depois do sucesso da turminha, o cãozinho azul continua representando um papel importante na MSP – Maurício de Sousa Produções. Ele é o símbolo da empresa e, nos quadrinhos, tem um “universo” próprio.

Nas suas histórias, o Bidu é um astro dos quadrinhos, que contracena com outros cães – como Manfredo, Duque, Zé Gordão e Bugu, famoso por tentar aparecer mais que o protagonista. E também com os “seres inanimados”, como a Dona Pedra. Ela é uma pedra mesmo, que conversa com Bidu e lhe dá conselhos.

Mesmo sem olhos, sem ouvidos e sem boca, a Dona Pedra observa, escuta e dá sua opinião sobre tudo que acontece ao redor. É atrás dela que o Bidu vai quando precisa de algum conselho, ou mesmo quando está triste.

Em algumas histórias, a Dona Pedra até consegue se mexer – saltitando pela grama. A personagem já apareceu até nas graphic novels que trazem releituras de personagens de Maurício de Sousa, por outros artistas.

A Dona Pedra pode ser ‘interpretada’ de várias formas. Ela mostra, por exemplo, que um personagem não precisa se movimentar para contracenar com o ator principal, nem sequer precisa expressar seus sentimentos com ‘caras e bocas’. Basta ficar lá, esperar a hora certa de aparecer e saber o que falar, com propriedade e adequação.

Ela também mostra que o ‘tempo de estrada’ de um personagem não garante, necessariamente, que vá se tornar uma estrela. A Dona Pedra existe desde 1977, sempre como coadjuvante, sempre no ‘apoio’ de uma história do Bidu.

Se a Dona Pedra tivesse a chance de falar um pouco mais sobre a família dela, certamente contaria histórias interessantes. Muitas estão registradas lá na Bíblia.

Ela ia lembrar, por exemplo, de uma parente distante, que levou um golpe tão forte do cajado de Moisés, lá no caminho para a terra prometida, que desabou a chorar. Para o povo que estava sedento, aquilo foi um milagre! Mas na família, aquela pedra ficou apelidada de chorona e molenga pra sempre. (Números 20:11)

A Dona Pedra deve lembrar também de outra parente, que morava naquelas mesmas bandas, e da mesma forma encontrou o tal Moisés. Essa foi mais sortuda, não apanhou. Mas deu ao velho líder um apoio, durante uma batalha. O povo de Deus só vencia os inimigos quando as mãos de Moisés estavam levantadas. E ele não estava mais aguentando ficar assim. Foi então que pegaram a parente da Dona Pedra e a colocaram debaixo dele, para que se sentasse. E dois homens, Arão e Hur, sustentaram as mãos de Moisés, erguidas, no alto, até o pôr do sol. (Êxodo 17:12)

Anos mais tarde, foi a vez uma jovem pedrinha, pequena que só, entrar para a história também. Ela passou a vida dentro de um riacho, sendo polida pelo curso da água. Com as arestas aparadas, estava lá, repousando em tranquilidade, quando foi escolhida por um jovem pastor de ovelhas. A pedrinha não entendeu nada, quando foi colocada dentro um alforje escuro. Só conseguia ouvir uma voz grossa e alta, ali perto, ameaçando o menino. Até que a pedrinha foi colocada numa funda e atirada a toda velocidade na direção da testa de um gigante filisteu chamado Golias. E, por causar a morte desse guerreiro, ficou famosa para sempre. (1 Samuel 17:49)

Mas a Dona Pedra tem orgulho, mesmo, é daquela antepassada que fechou um túmulo, lá em Jerusalém. Ela foi testemunha do momento em que o corpo de Jesus foi colocado lá dentro, envolto em faixas, e do esquema de segurança montado do lado de fora. Até foi lacrada, para aumentar a proteção! Mas nada disso adiantou. A pedra nunca quis contar muitos detalhes, mas o que se sabe é que, depois de 3 dias, durante a madrugada, ela foi milagrosamente removida e, ao seu lado, passou o filho de Deus ressurreto. (Mateus 27:66)

Não acredita que as pedras possam contar essas histórias? Pois, então, lembre o que o próprio Jesus Cristo falou, sobre aqueles que deveriam pregar a sua mensagem: “Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão”. (Lucas 19:40)

Em dias nos quais muitos absurdos são pregados – e tantos cristãos se escondem por aí – talvez as histórias da Dona Pedra sejam parte da profecia que se cumpre. Porque ela nos ensina várias coisas nos quadrinhos: a necessidade que cada um tem de ocupar o seu espaço; a importância de oferecer apoio, até para precisa desabafar; ou a sabedoria de contemplar a vida e tirar lições dela.

E entre tantos títulos que a humanidade escolheu para definir Deus, um vem família dela: “Deus é a minha rocha, Ele é a minha justiça.” (Deuteronômio 32:4)

Valeu, Dona Pedra. Continue sempre pelo caminho.

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