ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

SEM NECESSIDADE DE RECARREGAR

TORNADO VERMELHO

Quando foi a última vez que você sofreu com uma falta de energia?

Falava ao celular, que esqueceu de recarregar, e ficou zerado? Dirigia por uma movimentada rua, e a bateria do carro chegou ao fim? Ou fazia um trabalho no notebook e não percebeu o aviso de “carga baixa”? Pior ainda, estava no meio daquela partida no tablet e tudo apagou!

Ainda não inventaram uma fonte de energia doméstica que não precise ser recarregada jamais. Tudo bem que já foi uma revolução não depender mais daquelas gordas pilhas descartáveis, mas as coisas podiam melhorar.

Você já reparou como os robôs das histórias em quadrinhos raramente tem problemas assim? Seja qual for o material que lhes forneça energia, parece que ela jamais chega ao fim! No mundo da Liga da Justiça temos o androide Tornado Vermelho, do lado dos heróis, e os quase imbatíveis OMAC e Amazo do lado do mal. Todos com muito poder. Já os Vingadores contam com os autômatos Visão e Magnum para combater Ultron. Aliás, foi na editora Marvel que surgiu um dos primeiros heróis dos gibis – e de metal, o Tocha Humana original, na Primeira Guerra Mundial. Ainda tem muitos, nos desenhos animados. Lembra do Astro Boy e da Rosie, dos Jetsons? E do Bender, de Futurama? A série de filmes Guerra nas Estrelas é um prato cheio para quem gosta desses ‘seres de lata’: R2-D2, C3P0, BB-8 etc.

 

Tantas criaturas com o benefício da energia quase ilimitada.

A humanidade ainda não chegou tão longe. Para ir da Terra ao espaço, uma nave precisa de milhares de litros de combustível. Para navegar por grandes períodos de tempo, em águas profundas, os submarinos tem que ser nucleares. Estamos evoluindo, e já conseguimos armazenar muita energia em recipientes pequenos, mas ainda assim ela chega ao fim. Viu? Não é só na vida moderna que as coisas ainda precisam ser aperfeiçoadas. No transporte também.

Seria maravilhoso se outras coisas da vida fossem tão fáceis de se recarregar como nossos celulares, tablets e computadores. Melhor ainda se se houvesse uma tomada onde pudéssemos nos reabastecer, por exemplo, de… paciência!

Por que justamente paciência?

Porque se existe uma coisa que chega ao fim rapidamente, no nosso dia-a-dia, é exatamente isso. Às vezes, nem bem nos aproximamos da primeira esquina, ao sair de casa, e já estamos querendo mandar o mundo inteiro às favas – seja por causa do ônibus lotado, do assaltante que nos rouba, no motorista que dirige mal, da longa distância até o emprego, da falta de dinheiro para as despesas.

A noite de sono é capaz de recuperar a energia dos nossos corpos, contudo nem sempre recupera a disposição para viver. Ganhamos um cansaço que se acumula, e uma falta de esperança que parece não chegar ao fim. Ficamos irritados com facilidade. Falta entusiasmo até quando deveríamos nos dedicar a uma atividade que trouxesse alegria ou benefício à alma. Já se pegou olhando no relógio, no meio do filme, esperando que ele chegue ao fim logo, para poder ir embora do cinema? Ou incomodado com a demora do sermão ou do período das músicas, na Igreja?

Falta paciência. Sobra cansaço.

O profeta Isaías sabia disso, e nos deixou um consolo:

“Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos confins da terra, não se cansa nem se fatiga? E inescrutável o seu entendimento. Ele dá força ao cansado, e aumenta as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos cairão, mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão.” (Is. 40:28-31)

Ainda bem que Deus não se cansa, nem Sua paciência chega ao fim. Fico imaginando como estaríamos perdidos se o Senhor agisse da mesma forma que nós:

“Como assim? Outra vez pedindo perdão por isso?”
“Será que não dá para resolver algo sozinho? Tudo eu?”
“Você se mete em problema e depois vem me procurar? Agora se vira”
“Olha, sinto muito, estou sem paciência para isso, cansei!”

A paciência do Criador é infinita. Ou seja, é muito maior que a energia dos personagens androides. Mesmo assim, tem outra lição podemos aprender com esses robôs.

Construído originalmente para destruir a Liga da Justiça, o Tornado Vermelho se rebelou contra o seu criador e decidiu lutar pelo bem. Apesar de toda sua coragem e poder, o humanoide já foi derrotado e desmontado várias vezes. Os heróis nem mais se surpreendem quando sobra apenas a cabeça do Tornado intacta. Lá vai o autômato para a mesa de trabalho, esperar que suas partes sejam reconstituídas e o corpo volte a funcionar.

Passada a manutenção, o Tornado volta a ser como era. Pronto para outra encarar a próxima ‘destruição’. Outros heróis mecânicos dos quadrinhos e dos desenhos animados já passaram por situação semelhante. Ainda assim não sabemos como é a dor de um androide, o quanto sofrem. Não deve ser muito bom passar por uma situação dessa.

A Bíblia fala de um momento semelhante, na vida de um ser humano. A figura usada não é a de um robô, e sim a de um vaso. É outro profeta, Jeremias, quem narra isso, no capítulo 18, versículo 4: “Como o vaso, que o oleiro fazia de barro, se estragou na sua mão, tornou a fazer dele outro vaso, conforme pareceu bem aos seus olhos fazer.”

Deus usa essa ilustração para mostrar como pode moldar os nossos corações e as nossas vidas. Enquanto os androides só poderão ser reconstruídos da mesma forma como eram, o Senhor pode ajudar você a se tornar uma pessoa melhor, a partir do sofrimento. E quando acharmos que nossas vidas estão sem a melhor forma, tortas, cheias de imperfeição, existe a chance de sermos derretidos e refeitos numa versão aprimorada.

Não espere chegar ao fim sua carga de coragem, de perseverança, de amor pela vida, de dedicação. Clame Àquele que possui toda a energia do universo para repor o que te faz falta. Principalmente a paciência, para esperar nEle. O Senhor também pode te ajudar a reconstruir um aspecto da sua vida – ou toda ela.

Pare de viver como um robô. Tenha consciência desse amor.

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