ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

UM FINAL FELIZ

CAVERNA DO DRAGÃO

Entre os desenhos animados que chegaram à televisão, nos anos 80, fez muito sucesso a aventura de seis adolescentes através de um mundo mágico. “Caverna do Dragão” (“Dungeons and Dragons”) teve apenas 27 episódios, exibidos à exaustão no Brasil. Na trama, os jovens vão parar num universo místico, quase medieval, no gênero de “O Senhor dos Anéis”, e cada um ganha uma arma especial para sobreviver. Nessa jornada, tentam encontrar o caminho de volta pra casa, debaixo dos conselhos de um anão intrigante, o Mestre dos Magos.

Os personagens são inspirados nos clássicos heróis do jogos de RPG – Role Playing Game, ou Jogo de Personificação. E a polêmica do suposto episódio final, jamais produzido, que mostraria que os jovens estão mortos, já causou muita discussão na internet – e entre alguns cristãos, que acham que o desenho é do mal porque tem magos, demônios, dragões, criaturas das trevas… Mais uma discussão que ninguém sabe onde vai dar.

Quem se recorda do Mestre dos Magos também vai lembrar da forma como ele tentava – supostamente – ajudar os jovens. Nunca era claro e jamais trazia uma resposta direta para as dúvidas e problemas. Se o grupo estava perdido, por exemplo, o Mestre dos Magos até sabia a resposta, mas lançava uma charada e desaparecia no ar. Cabia aos meninos e meninas encontrar a solução, interpretar o que foi dito.

O cara nunca facilitava a vida do pessoal. Depois que todo mundo passava por um apuro enorme, lutando contra um exército de monstros, à beira de um precipício, numa tempestade de areia… ele aparecia para dizer algo como: “fizeram muito bem, foi tudo exatamente como eu disse”.

Dava vontade de pegar o Mestre dos Magos pelo colarinho e dizer: “Escuta aqui, se você não vai ajudar, então não aparece mais!”. O marrento do Eric quase fez isso em um episódio, cansado de tanto mistério e falta de objetividade.

Se o Mestre dos Magos queria que os caras aprendessem alguma coisa, então falasse logo! Por que será que deixava o grupo passar por tantos problemas?

Mas ele não é único “Mestre” que falou por meio de frases misteriosas. Houve um, de carne e osso, e cheio de poder, que preferia o caminho do aprendizado pelo esforço do seus discípulos, sem apresentar respostas prontas.

Este Mestre, que sujou seus pés na poeira da Galileia, fez coisas assombrosamente maravilhosas. O Mestre Jesus, cheio de poder dos altos céus, também sabia desaparecer diante dos olhos da multidão. E, realmente, não perdia uma oportunidade de falar por meio de histórias – as parábolas. Muitas, misteriosas até hoje. E, quando necessário, ajudou os seus discípulos a compreendê-las. Abriu os olhos daqueles que queriam apenas as respostas prontas, fáceis.

Jesus cumpriu a missão de resgatar não seis vidas, mas um mundo inteiro. Fez o seu papel de Mestre e não deixou os seus seguidores na linha de frente, armados, sozinhos, lutando contra o mal. Foi Ele quem se entregou para resgatar toda a humanidade. Sofreu no lugar daqueles que amou, não ficou sentado observando os esforços inúteis do seus aprendizes. Com sua morte, venceu não apenas um “Vingador”, e sim todas as trevas do mundo – venceu a serpente, venceu o dragão, venceu toda sorte de espíritos do mal.

E, ao contrário do Mestre dos Magos, o Mestre Jesus conseguiu, sim, trazer as vidas perdidas de volta para o reino de luz. Pelo menos aquelas que desejaram – e desejam – caminhar ao Seu lado. A estes, Ele pode mostrar o caminho de encontro aos braços amorosos de Deus. Uma história com final feliz.

 

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