ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

O QUE ENSINAM OS PÉS DA TURMA DA MÔNICA

Dizem que os pés revelam muito sobre alguém.

Se estão calejados ou cheio de bolhas podem mostrar que a pessoa caminhou muito ou trabalhou por um longo período sem descansar. Se estão machucados, é possível quem venham de alguém que se esforçou para permanecer muito tempo em cima de um salto alto – por necessidade ou em busca da beleza. Dizem até que a habilidade de separar o dedinho mínimo indica quem gosta de aventura. E que o joanete aparece nos pés de quem coloca os sonhos e interesses dos outros acima dos seus.

Os pés dos personagens da Turma da Mônica também podem revelar muita coisa.

Você já reparou que existem três tipos de desenhos para eles? O primeiro é aquele pé arredondado, gordinho, sem a indicação dos dedos. É um padrão usado para a maioria dos personagens humanos. É assim com a Mônica e a Magali, por exemplo.

O segundo tipo é um pé ‘normal’, com cinco dedinhos desenhados, aparentes. É o padrão de um ser humano. É assim com o Chico Bento, que nem costuma usar sapato.

E o terceiro tipo é aquele pé no qual o personagem calça sapato ou tênis. É comum nas criações mais antigas. E quando o personagem tira o sapato, lá está um pé ‘normal’, cheio de dedinhos. Com o Cebolinha é assim.

Maurício de Sousa já revelou que, lá atrás, quando começou a criar a turminha, ainda tinha tempo para desenhar detalhes – como sapatos, tênis e dedinhos. “O primogênito Franjinha veio com roupinhas bem transadas, sapatos, meias, calça pintada de preto e até cuidadosos ‘pingos’ de nanquim para indicar a característica franja”, já explicou o Maurício. Mas daí o trabalho aumentou muito e, sem auxiliares, ele precisou simplificar as características dos personagens. “Não dava tempo de ficar desenhando sapatinho, meias, nada, na minha produção angustiante. Não dava tempo de desenhar nem os dedinhos dos pés.”

Desde então os pés da Turma da Mônica são do tipo arredondado, sem dedinhos aparentes. E, assim mesmo, nos ensinam três lições.

A primeira é que, como o Maurício já contou, ele não podia perder tempo com coisas que não eram tão importantes. Para dar conta do volume de desenhos – e sobreviver – optou pela simplificação do traço. A mudança não teve impacto na narrativa, e ajudou muito o processo de trabalho dele.

Na vida, a gente precisa tomar decisões como essa, para não perdermos tempo com aquilo que não é essencial. É um ensinamento bíblico: “Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus.” (Efésios 5.15-16)

Foi para Marta, que estava preocupada com tantas coisas, que Jesus disse: “Marta, Marta! Andas ansiosa e te afliges por muitas razões. Todavia, uma só é necessária. Maria, sua irmã, pois, escolheu a melhor de todas, e esta não lhe será tirada.” (Lucas 10:41)

A segunda lição é que existem pés diferentes, sim. E tudo bem. Nem todo mundo é igual, e as crianças da turminha se respeitam e convivem bem, apesar da falta de dedinhos de uns e outros. “Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.” (Romanos 12:4-5)

Entre os 12 que Jesus escolheu como discípulos, não havia duas vidas semelhantes. Até um traidor estava no meio – e nem isso impediu o convívio do grupo, e o compartilhar de amor pelas pessoas. E ainda: “Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor.” (Efésios 4:2)

A terceira lição é que, se você reparar bem, a sola dos pés das crianças da Turma da Mônica sempre terá uns riscos, indicando aquela sujeira de quem caminha, corre, brinca por aí. Porque a criança se suja mesmo, quando está se divertindo com intensidade – e qual delas nunca voltou para casa com a planta do pé marrom de sujeira?

No tempo de Jesus também era assim. As pessoas viviam sempre com os pés sujos porque caminhavam usando sandálias, ou descalças mesmo. Ter água para limpar os pés era uma questão de higiene e conforto. Quem recebia uma visita fornecia água para limpeza dos pés – tarefa que geralmente cabia aos servos.

Mas tão logo alguém deixava a casa, depois de poucos passos, já estava com os pés sujos de novo.

É assim também na nossa vida espiritual. Buscamos a limpeza de coração diariamente, afastando pensamentos e atitudes que podem desagradar a Deus e prejudicar o nosso próximo. Mas isso não dura muito… às vezes, mal saímos da igreja e já estamos ‘imundos’. E logo podemos contar com a graça de Deus, novamente. O fato é que não se vive sem sujar os pés. O que não podemos é seguir acostumados à sujeira. Porque só nas histórias em quadrinhos existe uma pessoa que não toma banho jamais, e não quer se limpar.

É o Cascão. Que, aliás, já revelou que o pé dele é redondo porque… usa meias!? Veja nos quadrinhos ao lado.

Seja qual for o tipo de pé, viva sem tempo a perder, e sem medo de se sujar.

Baixar em PDF