ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

PROFESSOR USA SIMCITY PARA ENSINAR URBANISMO

Pulicado em Outra Cidade

Por Camila Montagner

 

O que é?

Um professor da Universidade de Vila Velha (UVV) está usando SimCity em sala de aula para ensinar princípios de planejamento urbano para seus alunos. O projeto Cidades Virtuais ajuda os alunos a entender as teorias urbanísticas aplicando os conceitos no game.

Simulador para futuros planejadores

Simuladores fazem parte do cotidiano do profissional de diversas áreas, de pilotos de avião a jogadores de futebol. Claro, ajudam a apresentar situações que podem servir de aprendizado. Foi o que Pablo Lira pensou ao adotar uma nova ferramenta para suas aulas de Fundamentos Sociais, Econômicos e Ambientais de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Vila Velha (ES): o SimCity.

Pablo trabalha na UVV desde 2008, mas foi em 2014 que ele resolveu usar o game de gestão de cidades em sala de aula para facilitar o entendimento dos conceitos de planejamento urbano. No segundo semestre, as turmas foram divididas em grupos de cinco alunos, dentro dos quais um líder responde pela coordenação dos esforços e os demais se dividem entre as diferentes áreas de desenvolvimento urbano como matriz energética, preservação ambiental e transporte – com funções similares às dos secretários municipais.

Nesse mesmo ano a instituição criou o Prêmio Inova UVV, que reconheceria práticas inovadoras de ensino. A inovação em sala de aula foi discutida em um evento de capacitação para docentes da universidade, no qual Pablo começou a planejar o desenvolvimento das atividades do projeto Cidades Virtuais. A iniciativa foi reconhecida na edição de 2015 da premiação.

“A principal vantagem em usar o game com os alunos é aumentar o engajamento de uma forma lúdica e inovadora. O conceito de cidade moderna, do Le Corbusier, por exemplo, pode ser aplicado no jogo para verificar se causa alguma adversidade, ficou mais fácil estudar o seu funcionamento”, conta o professor. Ainda que SimCity não permita aos jogadores controlarem a altura dos prédios, por exemplo, é possível planejar a cidade a partir do macrozoneamento, escolhendo a localização e o tamanho das áreas residenciais e industriais, assim como ter uma noção do impacto ambiental e social dessas instalações.

Apesar das limitações, é possível aplicar conceitos de mobilidade, como a hierarquização das vias, e de sustentabilidade. O projeto utiliza o SimCity 4, pois a versão exige menos das máquinas, uma vez que os alunos usam os próprios computadores. Pablo está estudando a possibilidade de passar a utilizar a versão mobile do jogo, que é mais leve e atualizada.

Pablo conta que os alunos apresentam os resultados obtidos no game ao final do semestre para a sala avaliar qual das cidades virtuais atingiu práticas mais sustentáveis. Mesmo depois de concluir a disciplina, alguns estudantes continuam a jogar, chegando a gerenciar mais de uma cidade. “Percebi que usar o game nas aulas despertou o interesse das turmas pelo planejamento urbano. Antes as aulas eram muito teóricas”.

Como também é responsável pela disciplina Fundamentos do Ensino de Geografia no curso de Pedagogia da UVV, Pablo também está usando SimCity como instrumento didático para o aprendizado de relações espaciais. O professor ressalta que o game pode ser usado em outras etapas da vida escolar, como ajudar no entendimento e resolução de problemas matemáticos no ensino fundamental.

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