ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

GERENCIANDO SUA CARREIRA

(trecho do livro escrito a partir de uma conversa entre Will Eisner e Frank Miller, dois dos mais importantes autores de histórias em quadrinhos da modernidade e pós-modernidade – e que contribuíram para a evolução da nona arte. Will Eisner é o criador de “The Spirit” e de mais de uma dezena de premiadas graphic novels, além do clássico livro “Quadrinhos e Arte Sequencial”. Frank Miller foi quem revolucionou o “Demolidor”, na Marvel, e o Batman, com “O Retorno do Cavaleiro das Trevas”, na DC, além de assinar a criação de “Sin City”.)

 

EISNER: Qual estratégia você recomendaria para um jovem cartunista que está chegando na área hoje?

MILLER: Só posso falar sobre o que funcionou para mim, e um método é se estabelecer no meio dos quadrinhos com trabalhos encomendados, fazer o nome e depois transformar isso em um lugar na área.

EISNER: Você está dizendo para um jovem escritor primeiro se tornar Ernest Hemingway, depois se preocupar com a coisa que faz?

MILLER: Não. Estou dizendo para fazer um bocado de serviços de encomenda, atingir o maior público possível e então…

EISNER: Veja, eu diria que a melhor maneira de respondermos a isso é dizer que você tem de trazer consigo uma grande bagagem do que quer dizer e desenvolver mais tarde, quando alcançar o ponto em que você não vai mais ter de fazer o lápis ou a tinta para outro. Então, quando não precisar de um trabalho diário, pense sobre possuir seu próprio trabalho.

MILLER: Houve um período de transição para mim, porque fui do trabalho feito por encomenda para escrever novidades para outras pessoas em parceria; então, finalmente fui me comprometer na feitura de uma publicação, a primeira que fiz inteira, do começo ao fim, incluindo o letreiramento e tudo mais, e aquilo foi um perfeito ponto de partida para o curso da minha carreira. Sabia que queria trazer de volta os quadrinhos de crime; isso era algo que sempre quis fazer. Então, finalmente consegui o trabalho que queria quando levei pela primeira vez meu portfólio para Nova York. (…) Não posso dizer nada além daquilo que funcionou para mim – existem editoras que vão aceitar desconhecidos e publicá-los. O ruim é que você vai ser mal pago e não obterá a mesma exposição que obtém com um título estabelecido.

O FUTURO

MILLER: Para onde você pensa que as coisas estão indo?

EISNER: Para começar, a ideia de contar histórias com imagens permanecerá; em qualquer método de transmissão, vai permanecer. Se a impressão desaparecer completamente, que não creio que vá acontecer, existirá tecnologia que transmita histórias por meio de imagens. Para mim, quadrinhos é uma forma de contar uma história. É um modo de escrever. É uma linguagem. (…) De fato, o uso da imagem como ferramente para contar histórias vai provavelmente expandir, porque a sociedade está se movendo para uma era na qual o tempo é essencial, e precisamos contar as histórias velozmente. O leitor não tem tempo para se sentar e ler um texto inteiro do modo como era feito antes. Agora, ele quer ter a história rápido.

 

 

 

Trechos dos capítulos 28 e 29 do livro
EISNER / MILLER
Uma entrevista cara a cara conduzida por Charles Brownstein
Criativo Editora
2014
São Paulo

 

 

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