ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

IZIDRO SANTOS

Nessa entrevista, ele lembra que tentou fazer esse tipo de humor dentro da Igreja, mas faltou coragem. “Eu era bastante religioso, quase um fariseu” – se recorda, rindo. “Por isso toda vez que eu faço uma tira do Karapuça, eu mesmo visto ela primeiro”. Confira a conversa a seguir:

DEUS NO GIBI – Como foram seus primeiros trabalhos na área de quadrinhos?

IZIDRO – Eu tive um fanzine chamado “Mondo Bizarro”, que durou três edições, com um tipo de humor mais livre e secular. Criei também um personagem chamado “Palavrinha” para uma empresa, e foi a partir desse trabalho que resolvi criar o “Karapuça”. Uma frase do cliente dizia que o personagem não poderia ter defeitos porque representava o Espírito Santo, e aquilo me deixou inquieto. Ai pensei: “não quero um personagem perfeito, quero personagens que erram, personagens humanos e que dependem da graça para seguir adiante”.

DEUS NO GIBI – Que tipo de retorno você teve do público leitor?

IZIDRO – Quando comecei o “Karapuça” eu esperava que fosse massacrado, porque a temática religiosa é bem complicada. Mas na verdade o trabalho foi muito elogiado.

DEUS NO GIBI – Então existe ainda uma resistência com esse humor feito a partir da religião e do relacionamento humano com o divino.

IZIDRO – Claro, existe e sempre vai existir. Mas depende da maneira que você conduz o seu trabalho. Creio que, se você faz com atitude e verdade, alguém vai gostar e se identificar.

DEUS NO GIBI – Algumas de suas histórias tratam de particularidades que só são conhecidas por cristãos. Você tem receio que esses detalhes criem uma barreira para que o público em geral possa compreender o humor?

IZIDRO – Já fiquei muito encanado com isso, pensando que o meu trabalho poderia ser tratado com preconceito e tal mas, na verdade, quando fiz as tiras, adaptava para que mais pessoas não-religiosas possam entender.

DEUS NO GIBI – Você tentou emplacar esse tipo de humor dentro de uma Igreja ou de um ambiente religioso?

IZIDRO – Eu tentei, mas eu mesmo tinha medo de lançar, pensando no que as pessoas diriam. Até porque já tive um dia o sonho de ser pastor, e era bastante religioso, quase um fariseu. Por isso toda vez que faço uma tira da “Karapuça” eu mesmo visto ela primeiro. Hoje sou livre pra viver da graça porque aprendi que Deus é humor.

DEUS NO GIBI – Qual o limite do humor, dentro da temática religiosa?

IZIDRO – O meu limite é não fazer piadas com Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo… faço piadas com situações humanas, coisas do dia-a-dia do cristianismo, com um humor ácido e critico. Quero que o leitor leia a tira e ria, mas não apenas dê um sorriso, quero que pense. Vivemos hoje em dia um cristianismo muito emocional e falta um pouco de questionamento. Vivemos um tempo em que basta o pastor dizer um “blá-blá-blá” que o povo é enrolado! Isso tudo porque o povo não estuda mais a Bíblia.

DEUS NO GIBI – Que autores de quadrinhos e revistas você lê?

IZIDRO – Bom, hoje em dia eu leio tiras que fogem um pouco do padrão comum, como as séries novas do Laerte, com um humor meio nonsense. Leio as tiras do Rafael Sica, o “Macaco Albino” do Leandro Robles, “Malvados” com seu humor pesado do André Dahmer, e me apaixonei pelo livro “Retalhos” que tem uma temática religiosa e é muito poético.

DEUS NO GIBI – Quais autores te inspiram?

IZIDRO – Angeli e Mark Driscoll, com seu reformismo. Realmente me identifico com esse pastor.

DEUS NO GIBI – Que super-poderes você acha que faz falta aos líderes religiosos hoje em dia?

IZIDRO – Eles precisam do poder de ser gente. Eles vestem capas de super-heróis, indestrutíveis, mas o que mais me apaixona no evangelho é ver a humanidade dele.

Para conhecer mais sobre o trabalho do Izidro visite:
http://fadabanguela.com.br/autor/
https://www.blogger.com/profile/08936260057194577879

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