ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

PAOLLO VARDIERO

ENTREVISTA

Por Fernando Passarelli

Se você é um usuário assíduo das redes sociais, desses que recebem e compartilham conteúdo, é grande a chance de ter visto o trabalho do Paollo Vardiero. Com muita criatividade, humor e sensibilidade, esse desenhista tem feito sucesso (merecido) por mensagens cristãs ilustradas com personagens dos quadrinhos, do cinema e da TV. E o traço do Paollo é muito bom, refinado. Artista plástico de Muriaé, na zona da mata mineira, Paollo já ensinou arte visual para crianças na Igreja Metodista Central do município. “As crianças daquele tempo, hoje, jovens, lembram sorridentes desta época. E eu ainda não havia pegado carona nos heróis para ministrar as aulas. Eram basicamente noções técnicas, sem trabalhar conceito, senso criativo ou linguagem. Mesmo assim, foi de extrema valia, uma vez que, eu cobrava dos alunos evolução nas notas da escola.” Paollo já ilustrou cinco livros. São três independentes, infantis, uma história em quadrinhos didática cristã, e recentemente, uma Bíblia, a convite da Sociedade Bíblica do Brasil em parceria com a editora 100% Cristão. Projetos para o futuro? “Tenho 2 livros meus engavetados por falta de tempo. Um infantil, e um adulto. Além de um novo convite da editora 100% Cristão, em andamento.” E mesmo tão atarefado, ele arrumou uns minutinhos para a entrevista que você lê agora.

DEUS NO GIBI – O que mudou no meio artístico desde que você começou a sua carreira? Existe mais aceitação dos trabalhos com temática cristã ou religiosa?

PAOLLO – De fato, iniciei muito cedo minha caminhada profissional. Na adolescência já fazia cursos e meu primeiro trabalho no ramo foi aos 15 anos de idade. E, desse tempo até aqui, a arte evoluiu, sim, como tudo ao nosso redor. Digamos que, no meio cristão, até mais. Afinal, havia um molde para esse seguimento. Após a generalização da cultura popular, atingindo não somente os ditos nerds, mas, todos os níveis de pensamento, ficou mais fácil inserir o cristianismo nesses assuntos, sem que pudesse causar extrema estranheza – embora algumas pessoas teimem em resistir.

DEUS NO GIBI – Você já tem mais de 50 mil seguidores no Instagram (abril/2019) e uma loja virtual com seus trabalhos estampados em camisetas, Biblias, agendas etc. Dá pra viver de arte no Brasil ou ainda é preciso uma outra carreira para se sustentar?

PAOLLO – Dá sim! Como dá pra ser um jogador de futebol. Como dá pra ser um piloto. Como dá pra ser um doutor. A oportunidade é fundamental, mas fazer bem aquilo que se propõe, com amor e dedicação, sem dúvida diminui o tamanho da ponte entre o sonho para a realidade.

DEUS NO GIBI – Muitos desenhos seus usam personagens do entretenimento com alusão ao evangelho. Como tem sido a reação do público, principalmente o não-cristão, diante disso?

PAOLLO – A reação é diversa. Depende da construção do pensar de cada observador. Tem a classe dos zombadores, tem a classe dos admiradores da arte por eu “brincar” com a cultura pop, e tem os que se afeiçoam pela essência, que é o cristianismo. Então, o segredo é aprender a repeitar cada uma dessas opiniões, uma vez que, depois que você publica, a arte “deixa de ser sua” e passa a ser segundo a interpretação do outro.

DEUS NO GIBI – Tem recebido críticas?

PAOLLO – Sim! Por parte dos nerds não-cristãos que não aceitam essa releitura dos heróis. Talvez seja natural quando se tem um apego afetivo por tais personagens e não por Jesus, infelizmente.

DEUS NO GIBI – E como é possível lidar com os hatters cristãos?

PAOLLO – Graças a Deus são casos raros. Mas ainda tem aquele que diz que tal desenho é do demônio e não pode ser usado. Ou que eu estou ofendendo a palavra. Enfim, as pessoas esquecem que, de capa a capa das escrituras, Deus foi extremamente criativo na maneira de se comunicar com os homens. Usou multiformatos para transmitir sua mensagem. E ainda o faz. O importante é se achegar ao amor pleno do Pai. Então, se esse desenho, através da minha percepção, permite isso, eu não vou me hesitar em usá-lo para esse fim.

DEUS NO GIBI – Destes trabalhos, qual teve o maior impacto e repercussão junto aos seguidores ?

PAOLLO – É difícil falar, porque alguns desenhos rodaram o mundo. Talvez seria a arte onde muitos heróis tentam erguer a cruz ao mesmo tempo e não conseguem. Essa arte, além de ter sido compartilhada e traduzida em outros idiomas, também teve releituras. Portanto, o impacto foi maior.

DEUS NO GIBI – Você acha que o contato com a tecnologia tem desestimulado ou diminuído o desejo das crianças de desenhar?

PAOLLO – Acredito que não, desde que esse seja o foco. Ou seja, se a criança é interessada no assunto, muito se pode aproveitar na internet. Buscando conteúdo, matérias ou tutoriais. O grande problema são os outros caminhos. Jogos, canais vazios e toda sorte de banalidade que atrai a criança, fazendo com que ela se interesse mais por tais coisas, do que pela cultura em si. Por isso, é muito importante a presença dos pais. Para que eles filtrem, através de um bom diálogo, que tipo de conteúdo o filho deve consumir.

DEUS NO GIBI – Se pudesse dar uma sugestão aos jovens que querem viver da arte e aprender a desenhar, qual seria?

PAOLLO – Eu sempre digo: “Se você quer ir onde ninguém foi, faça o que ninguém fez”. Essa, talvez, seja uma boa fórmula para alcançar mais visibilidade. Crie uma linguagem própria, um conceito novo! Acredite nisso e não desista. A ideia vale muito mais que o traço. Então, se sua ideia transcende a firmeza da mão, ela pode transcender o coração de alguém. Vejamos Pablo Picasso, o grande pintor espanhol que desbravou o cubismo. Trouxe algo novo e deixou sua marca na história. Seus desenhos tinham peso, porém, não eram nada realista. Além disso, uma de suas frases mais memorável foi: “levei a vida inteira para pintar como criança”. Acho que se meditarmos nisso, já se dispensam mais explicações.

DEUS NO GIBI – Qual super-poder gostaria de ter?

PAOLLO – Meu super herói favorito é o Homem-Aranha. Vejo muita humanidade nele, ao ponto de nos trazer a ideia de que também podemos ser um herói. Ele tem que conseguir emprego, ele é mal resolvido em muitas áreas. Passa por crises, cria seu próprio uniforme a base de remendos, vive em um bairro humilde. E, em meio a isso, ele insiste em fazer o bem. Enfim, ele é muito humano! Todavia, se eu pudesse escolher um dom, seria a inteligência de Tony Stark. Veja: ele não têm poderes, mas, por meio de seu intelecto, foi capaz de inventar algo que alterou o mundo. Só que poucas pessoas possuem essa capacidade tão aflorada. Se pararmos pra pensar, Albert Einstein foi um herói assim, bem como Isaac Newton, Leonardo da Vinci e Stephen Hawking. Eles usaram sua inteligência além do normal para mudar o mundo até os dias de hoje, por isso é possível existir Tony Starks da vida real! E é incrível crer nisso!

Para conhecer mais o trabalho do Paollo Vardiero, visite:
https://www.facebook.com/paollovardierorabiscos/
https://www.instagram.com/paollovardierorabiscos/
https://lojarabiscos.com.br/

 

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