ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

APLICAÇÃO DE TIRAS EM AULA

Exemplo de tira cômica, por ADÃO ITURRUSGARAI

 

Entre as tiras, as cômicas são o gênero predominante no país. Por isso, era de se esperar que a área de ensino refletisse essa tendência. É raro ver algum dos outros gêneros presente em materiais didáticos. Isso não significa, no entanto, que não possam ser usados ou aplicados em atividades pedagógicas. Vai depender dos objetivos do professor.

Uma atividade que pode ser pensada nesse sentido é um trabalho de pesquisa, a ser realizado individualmente ou em grupos. Os alunos seriam apresentados às tiras e a seus possíveis gêneros e, a partir dessas informações contextuais iniciais, teriam como meta fazer um levantamento local sobre essa forma da produção de histórias em quadrinhos.

Várias perguntas poderiam nortear o estudo.

Há algum jornal (ou jornais) na cidade onde fica a escola? Quais são eles?

As publicações jornalísticas mantém um espaço destinado às tiras?

Caso tenham, quais são as séries e seus autores? Quais as formas de produção (os gêneros) predominantes? Por que, no entendimento dos estudantes, ocorre esse comportamento editorial?

Os alunos podem ser instados a ter um posicionamento crítico também para o caso de o periódico não trazer tiras. Qual seria o motivo disso? Em anos e décadas anteriores, o jornal tinha espaço para tiras? Em caso positivo, quais eram as séries e quais eram as marcas centrais delas?

Saindo do jornal e ampliando o estudo: a cidade da escola ou a região têm algum autor de tiras? Onde esse autor local veicula suas histórias? Na internet, os estudantes chegaram a encontrar casos de desenhistas do município ou do estado que produzem narrativas quadrinizadas? Como elas são? O criador das tiras aceitaria ir à escola comentar seu trabalho?

Uma atividade assim, de levantamento e análise de dados, é um exercício bastante eficiente de pesquisa. Ao final, a tendência é o estudante dominar não só as marcas das tiras, mas também o modo como são veiculadas, inclusive regionalmente. Cria-se, assim, uma maior proximidade com essa forma de produção textual e familiaridade com os sentidos trazidos por ela.

Configura também um desafio para o professor. Isso porque não há respostas prontas. Elas são construídas ao mesmo tempo em que a atividade é realizada e os dados vão aparecendo, como é próprio a uma pesquisa.

 

Extraído do livro
“Tiras no Ensino”
de Paulo Ramos
Série Estratégias de Ensino 58
Capítulo 4 “Outros Gêneros de Tiras”
Páginas 107 e 108
Parábola Editorial

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