ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

CRIAÇÃO E REFLEXÃO NO ATELIER DE ARTE DA ESCOLA

Por Ana Angélica M. Albano

Sempre me intrigou que os desenhos de muitas crianças apresentassem acentuadas diferenças entre os realizados em casa e os realizados na escola.

Os desenhos feitos na intimidade do quarto ou no aconchego da sala ou da mesa de jantar apresentam uma quantidade maior de detalhes, uma preocupação com a estória a ser contada, que só é possível de acontecer no recolhimento, e os desenhos feitos na escola parecem mais apressados, menos reveladores dos processos internos, desenhos para cumprir uma tarefa.

Indagada sobre o por quê de escolher o espaço de brincar e não o atelier da escola para desenhar, uma criança respondeu: “É que aqui eu posso desenhar mais descansado”.

Penso que o atelier de arte na escola precisa proporcionar o trabalho coletivo, socializado, mas deve possibilitar também o trabalho individual e solitário, “o desenhar descansado”, para que possa contar o momento de intimidade, do recolhimento e também a expansão, o convívio, a troca com os colegas.

(…)

Para que isso possa acontecer, é necessário que o atelier esteja preparado de modo que o aluno, entendendo sua organização, possa se dirigir com autonomia, escolher os diferentes materiais, experimentar livremente e no final guardar onde encontrou.

A organização do espaço e dos materiais é fundamental para se desenvolver a iniciativa e a independência, seja qual for a linguagem trabalhada. Quanto mais clara for a organização do espaço, mais livre poderá ser o trabalho.

Se os alunos têm participação sobre a arrumação da sala, se sentem mais comprometidos com o espaço. O espaço, então, serão mais revelador dos ocupantes, assim como o atelier do artista, com a diferença que agora estamos pensando num atelier coletivo e portanto revelador da dinâmica de um grupo.

(…)

Acima de tudo, o atelier deve ser o lugar do devaneio, da experiência, da poesia…

 

O ATELIER DE ARTE NA ESCOLA: ESPAÇO DE CRIAÇÃO E REFLEXÃO
Texto de Ana Angélica M. Albano
Extraído do livro “Comunicação, Educação e Arte na Cultura Infanto-Juvenil”
Organizado por Elza Dias Pacheco
Página 163
Edições Loyola
1991

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