ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

ENSINO COM FANZINES

Um fanzine é uma revista manufaturada, produto pouco conhecido pela sociedade, paratópico até!

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O fanzine de certa forma é uma obra artística, pois tem particularidades próprias de um trabalho expressivo de arte, seja sua autoralidade, a exposição por uma estética diferenciada e uma contundência muitas vezes em suas mensagens.

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Um fanzine (do inglês fan + magazine), como dá a entender o próprio nome, é uma revista gerada pelo fã de determinado assunto, quer seja de literatura, cinema, de música, de poesia ou história em quadrinhos, além de outros, que disserta acerca de seu objeto de paixão, ou ainda, atualmente, um veículo de expressão e vazão do autor apaixonado por determinado assunto que não tem outro modo de divulgar suas ideias.

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Esse veículo de comunicação alastrou-se pelo mundo inteiro, expressando ideias e informações adjuntas de um determinado assunto, de forma livre e independente, graças ao seu baixo custo, pois, embora inicialmente impresso nas antigas máquinas de mimeógrafo, passou para as fotocopiadoras (xerox) e começou a ser divulgado através dos correios e, atualmente, pela Internet (em sites e blogs), onde pode ser lido e/ou baixado em pdf.

FANZINES NO ENSINO: A EXPERIÊNCIA

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O ato de fazer um fanzine pressupõe desprendimento de regras e abertura ao novo com ousadia. A didática que emprego em aulas segue um aporte teórico com zines, um histórico e a amostragem deles projetada e também fisicamente, já que levo fanzines de distintos temas.

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A seguir, quando a aula é uma oficina, comunico que a confecção de fanzines começa com uma simples folha de papel A4 que pode ser ou não dobrada ao meio (ou em quantas dobraduras se queira), para em seguida os alunos começarem a pensar no tema de seu fanzine e como será executado (ou vice-versa). Dou também a possibilidade de desenharem e/ou comporem o zine com material recortado de revistas e remontando figuras e/ou textos, usando tesoura, cola e lápis e canetas. Tudo improvisado, mas com acompanhamento personalizado.

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Incrivelmente, os fanzines vão saindo rapidamente e percebo que seus criadores também se espantam com a facilidade criativa com que compõem as ‘revistas’. É notório também que, com incentivo, há uma melhora na determinação criativa e na estruturação final de maneira mais ousada, pois, muitas vezes, por não estarem acostumados com tal processamento criativo, não conseguem iniciar ou ir além de certas óbvias realizações na confecção de elementos e tudo o mais que vão usando para compor seus ‘zines’.

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O fanzine impulsiona a criatividade adormecida

Um fanzine é na realidade um instrumento que permite ao autor desenvolver melhor suas ideias que muitas vezes não tem espaço e nem local propício para serem deliberadas, já que o excesso de rigor cientificista cartesiano oriundo de anos de formação (e cristalização) no ensino acadêmico levou a coibir a expressão, prejudicando o desenvolvimento pessoal no quesito da expressão artística em geral.

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A importância essencial do fanzine e sua verve didática é a de impulsionar a criatividade adormecida – amortecida – da maioria das pessoas, independente de sua formação profissional e atuação.

Saberem que podem criar e desenvolver textos, imagens, estruturas mesmo que básicas numa montagem simulando uma revista personalizada (ainda que de apenas uma única cópia, qual seria o fanzine-arte ou artezine), faz com que tantos alunos como docentes percebam que são autores em potencial e que o desenvolvimento das ideias lhes coloca frente a um processamento criativo prazeroso que pode levá-los ao autodesenvolvimento e autoconhecimento, pelo menos das potencialidades e do que podem extrair e compartilhar.

 

 

Por Gazy Andraus, em “Minhas experiências no ensino com os criativos fanzines de histórias em quadrinhos e outros temas”

Extraído do livro “Histórias em Quadrinhos e Práticas Educativas – O trabalho com universos ficcionais e fanzines”

Capítulo 6, página 82

Editora Criativo

 

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