ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

QUADRINHOS SOBRE AUTORITARISMO

O PODER DA MENTIRA USADO PARA O ÓDIO

Publicado no Hypeness

A democracia está em crise. Nos últimos anos, líderes autoritários e demagógicos têm sido eleitos mundo afora, dos mais distintos matizes políticos, de Donald Trump até Nicolás Maduro. Todos eles, à esquerda e à direita, têm deixado o mundo atento a seus histrionismos e desmandos.

Uma excelente maneira de conhecer essas experiências políticas e os efeitos que elas têm na vida íntima de indivíduos e suas famílias, as marcas que ficam na memória, a disseminação de medo e ódio como modus operandi é por meio dos quadrinhos.

Will Eisner, Art Spiegelman, mas, claro, os X-Men de Chris Claremont são grandíssimos expoentes das denúncias contra o autoritarismo por meio da oitava arte.

Seguem alguns dos clássicos mais conhecidos do gênero, mas também indicações que talvez você não conheça.

 

1. ‘A Morte de Stálin’, de Fabien Nury e Thierry Robin

De repente, Josef Stálin infarta e morre. Após mais de 30 anos como o todo-poderoso da União Soviética, já não pertence mais ao ditador o controle do reinado de medo que seu governo impôs ao país — e o cargo de primeiro-ministro do Partido Socialista começa a ser disputado entre seus aliados. Nesta história — cuja adaptação para o cinema está disponível — a disputa por poder é retratada na forma de uma sátira política, em que nenhum dos personagens escapa ileso do humor corrosivo de Fabien Nury (texto) e Thierry Robin (arte).

Editora: Três Estrelas

Páginas: 152

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2. ‘Maus’, de Art Spiegelman

Neste quadrinho autobiográfico e vencedor do Pulitzer, Art Spiegelman aborda seu complicado relacionamento com o pai, Vladek, um judeu polonês que sobreviveu a Auschwitz durante o Holocausto. Vladek conta ao filho como foi o período no campo de concentração e Art, por sua vez, tenta digerir o sombrio relato do pai, enquanto passa a entender Vladek com um novo olhar. Em Maus, os judeus são retratados como ratos e, os nazistas, como gatos; americanos e poloneses não-judeus são cachorros e porcos, respectivamente. A obra é conhecida também por abordar o trauma que a perseguição nazista causou em suas vítimas.

Editora: Quadrinhos na Cia

Páginas: 296

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3. ‘X-Men: Deus Ama, o Homem Mata’, de Chris Claremont e Brent Anderson

O televangelista William Stryker tem uma campanha pública de ódio contra os mutantes: ele acredita que os portadores do gene X são uma maldição satânica para a humanidade. Após um debate na TV com Charles Xavier, os capangas de Stryker o raptam para forçá-lo a usar seus poderes telepáticos em uma máquina, com o objetivo de matar todos os mutantes. Os X-Men e Magneto se unem para resgatar Xavier e impedir o genocídio. Lançado originalmente em 1982, “Deus Ama e o Homem Mata” serviu de inspiração para o enredo do filme X-Men 2.

Editora: Panini

Páginas: 104

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4. ‘X-Men: Dias de um Futuro Esquecido’, de Chris Claremont e John Byrne

Em um futuro distópico, repleto de escombros e medo, os mutantes são perseguidos por Sentinelas, robôs gigantescos que rastreiam quem tem o gene X no DNA. Presos em campos de concentração, eles se unem para voltar no tempo e evitar o acontecimento que inicia o programa Sentinela: a telepata Rachel Summers envia a mente de Kitty Pride para o corpo da garota no passado, com a missão de impedir que Mística assassine o senador Robert Kelly, um ultraconservador que prega ódio aos mutantes. O quadrinho, lançado em 1981, foi adaptado para o cinema em 2014.

Editora: Panini

Páginas: 184

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5. ‘O Complô: A História Secreta dos Protocolos dos Sábios do Sião’, de Will Eisner

Qual é um dos melhores instrumentos para espalhar medo e ódio? Se você pensou em mentiras, acertou — e é este o tema que Will Eisner (1917–2005) aborda em O Complô. Nesta HQ de não ficção, o texto antissemita “Os Protocolos dos Sábios de Sião” é criado por Mathieu Golovinski, um espião da Rússia czarista infiltrado na França, e sugere que judeus conspiram para dominar a economia mundial e estão por trás de revoltas no país governado por Nicolau II.

Editora: Quadrinhos na Cia

Páginas: 160

 

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6. ‘V de Vingança’, de Alan Moore e David Lloyd

“V de Vingança” tem como pano de fundo um futuro em que o Reino Unido é governado por neofascistas, após bom pedaço da Terra ter sido destruído por uma guerra nuclear. O terrorista V, que se veste de preto e usa uma máscara de Guy Fawkes — um dos principais personagens da Conspiração da Pólvora de 5 de novembro de 1605, persegue membros do governo para assassiná-los, enquanto planeja explodir o parlamento. O caminho dele cruza com o da adolescente Evey, a quem V protege e inspira a trocar a democracia pelo anarquismo. Em 2006, foi lançada em filme com Natalie Portman.

Editora: Panini

Páginas: 304

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7. ‘O Perfuraneve’, de Jacques Lob, Jean Marc-Rochette e Benjamin Legrand

Um desastre climático causa uma nova era do gelo no planeta e o trem Perfuraneve transporta os últimos humanos vivos. Nos vagões da frente moram os mais ricos e, nos de trás, os mais pobres, em condições desumanas. A tensão dentro do trem ultrapassa o limite do suportável quando se descobre que os ricos planejam deixar para trás os vagões dos pobres para o trem continuar com a viagem. “O Perfuraneve” é considerada uma das principais narrativas dos quadrinhos europeus. Sua adaptação para cinema foi lançada em 2013.

Editora: Aleph

Páginas: 280

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8. ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’, de Frank Miller

Neste clássico das HQs de super-heróis, o cultuado roteirista e desenhista Frank Miller imagina um período distópico em que o Batman está velho, amargurado e exausto, mas decide voltar à ativa como vigilante de Gotham para combater uma gangue criminosa. Isso chama a atenção do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, que contata Superman e pede que este pare o Homem-Morcego. “O Cavaleiro das Trevas” mostra medidas extremas de Batman no combate ao crime, o sensacionalismo em veículos de comunicação e retrata Reagan como um presidente caricato e pateta.

Editora: Panini

Páginas: 516

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9. ‘Saga’, de Brian K. Vaughan e Fiona Stapples

Um dos quadrinhos mais celebrados dos últimos anos, “Saga” conta a história de dois alienígenas que se apaixonam, têm uma filha e fogem juntos de seus respectivos planetas, pois ambos estão em guerra há anos.

A fuga movimenta uma turba de caçadores de recompensa e fantasmas — e mostra de dentro as fissuras de ambos os governos e o conflito bélico em toda a sua complexidade.

Editora: Devir

Páginas: 168

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10. ‘Watchmen’, de Alan Moore e Dave Gibbons

“Quem vigia os vigilantes?”, pergunta uma sociedade em que super-heróis perdem a credibilidade: eles estão aposentados ou trabalham a serviço do governo. No entanto, um grupo deles se vê obrigado a se unir após um desses super-heróis ser assassinado. Ambientado em um futuro em que os EUA vencem a Guerra do Vietnã, estão perto de iniciar uma terceira guerra mundial com a União Soviética e Richard Nixon ainda é presidente, Watchmen é um clássico definitivo que até hoje cativa leitores e inspira quadrinistas. Uma adaptação para cinema foi lançada em 2009.

Editora: Panini

Páginas: 460

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11. ‘Kaputt’, de Curzio Malaparte e Guazzelli

Curzio Malaparte foi jornalista durante a Segunda Guerra Mundial e cobriu o conflito para o jornal Corriere della Sera. Ele escreveu seis contos semi-ficcionais lançados no livro best-seller Kaputt em 1944, uma importante peça da literatura italiana, em que explora diferentes aspectos da guerra. O quadrinista brasileiro Eloar Guazzelli adaptou o livro de Malaparte para este quadrinho homônimo.

Editora: WMF Martins Fontes

Páginas: 184

 

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