ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

ALGUÉM DEFENDA O COIOTE!

WILE E. COIOTE

Depois do confronto entre gato e rato, não existe duelo mais conhecido no reino animal dos desenhos animados que o embate entre o Papa-léguas e o Coiote.

O roteiro é simples: Wile E. Coiote elabora armadilhas para agarrar o Papa-léguas e comê-lo. Mas o Papa-léguas, veloz como ele só, sempre escapa correndo. Bip Bip!!!

Esse desafio existe desde 1949 e, que Tom e Jerry que não nos ouçam, é o desenho clássico de perseguição que mais arranca risadas pela criatividade dos roteiros.

Perdoem-nos os fãs do Papa-léguas e inimigos da luta pela sobrevivência, mas o Coiote é um exemplo. Não pela fome, nem pela baixa capacidade intelectual que demonstra… O Coiote é um exemplo de perseverança e determinação.

No linguajar empresarial, poderíamos dizer que ele é focado, perseguidor de uma meta, realizador de jobs. Não desanima diante das adversidades que aparecem, mesmo vivendo uma sucessão de fracassos.

Sabe aquela pesada bigorna? Já desabou sobre os pés e a cabeça do Coiote um sem número de vez. Bananas de dinamite? Também já explodiram sobre ele – e até dentro dele!

E quem de nós teria coragem de encarar, manhã após manhã, uma das grandes inimigas da humanidade: a lei da gravidade? Somente foguetes e aeronaves conseguem domá-la, mas o Coiote não pensa pequeno! Se o Papa-léguas ultrapassa um abismo em alta velocidade, o Coiote veste asas e tenta ir atrás. Nem que tenha que desabar por um desfiladeiro novo a cada dia, ele continua tentando…

Digamos até que se o universo coach o conhecesse bem, certamente o testemunho do Coiote seria incluído na próxima edição dos livros de liderança…

Podemos imaginar o depoimento dele, lembrando que sempre foi “mais humilhado que ferido, por suas derrotas, porém foi isso que aumentou sua determinação por toda a vida”. Ou então, recordando o dinheiro que juntou em sua vida para comprar os produtos ACME, em busca de sua meta: “Se você tem algum recurso financeiro, aplique na busca da sua meta. Pode ser um rolo-compressor gigante, para esmagar o problema, ou mesmo uma corda muito fina para derrubá-lo. Também não interessa se é preciso se vestir de super-herói para voar ou colocar um vestido para seduzir sua presa. Simplesmente faça-o.”

O Coiote é dedicado no que faz.

Quando tem uma ideia fantástica e não possui o conhecimento suficiente para executá-la, tem humildade para recorrer aos livros e apreender o caminho. É assim que constrói foguetes velozes, pontes móveis, armadilhas precisas e androides assassinos.

BIP! BIP!

Dá orgulho ver esse bicho. Aliás, mais orgulho do que pena ao observá-lo se arrebentar no fim do precipício. Podemos até tentar uma elevada observação tupiniquim: o Coiote só pode ser brasileiro, porque não desiste nunca!

E o Coiote pode ser também exemplo aos cristãos.

Paulo escreve aos Romanos, no capítulo 5, versos de 3 a 5: “Gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança, e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.”

O Coiote enfrenta as tribulações. Aplica todos os seus recursos e esforços para vencê-las. Se não tem sabedoria, busca. E nos ensina a não desanimarmos diante das falhas, transformando-as, com perseverança, em sabedoria. Com a alma cheia dessa força de vontade, sabemos que virá a experiência – e quem tem mais experiência (em perseguir o Papa-léguas) que o Coiote?

Será que temos tanta vontade assim, também, para perseguir sonhos, para perseguir o amor de uma família ou para perseguir a santificação de vida?

Lembro da mensagem de uma amiga que se dizia cansada das derrotas sofridas. E falava que se enfrentasse mais uma decepção, queria ir morar com o Coiote.

Depois de pensar no assunto a aconselhei que o fizesse. Não haveria escola mais poderosa em revigorar suas forças e ensinar a perseverar pelas metas de vida.

Houve um executivo que aprendeu muito com um monge, ao viver um período ao seu lado, e escreveu um livro sobre isso. Como não dá para achar um monge em cada esquina, fique com o Coiote e suas lições valiosas.

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