ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

AS DÍVIDAS DO CAPITÃO

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CAPITÃO AMÉRICA

Vestir a bandeira de um país pode transformar qualquer um em símbolo de sua pátria. Vestir a bandeira de um país e ajudar seu país a vencer uma guerra, pode transformar qualquer um em herói. Sobreviver à guerra e reviver anos mais tarde, num mito.

Seja quem for o homem debaixo da máscara do Capitão América, ele é um mito. A representação e a defesa do modelo de vida americano, o “american way of life”. Defesa que, empunhada na forma de um escudo, tem um poder de ataque sobre os inimigos. É por isso que o escudo não apenas defende; ele pode ser arremessado e funcionar como arma ostensiva. Mas ainda é um escudo.

Se é tão claro o poder que a bandeira exerce sobre a ideologia de um homem, o que dizer do homem que a veste? Na Segunda Guerra Mundial, Steve Rogers era um fraco recruta americano, cobaia na experiência que buscava o soro do supersoldado, capaz de transformar qualquer indivíduo no “exército de um homem só”. A experiência deu certo, e o cientista responsável por ela foi assassinado no laboratório de testes, por um espião nazista.

Steve Rogers é o sucesso do projeto do super soldado, o único sobrevivente. Ganhou treinamento e foi enviado para o campo de batalha. Conduziu tropas, executou missões suicidas, destruiu batalhões inteiros e inspirou gerações. Atitudes heroicas motivadas… pelo quê mesmo?

O que é que motivou Steve Rogers em sua missão? A luta contra o nazismo?

Tudo bem, e ela acabou quando ele estava congelado no Ártico. Steve foi ressuscitado e voltou a vestir o uniforme pela motivação… do quê mesmo? O Capitão América vestiu o uniforme para combater os bandidos, todo mundo sabe. E para liderar os Vingadores, combater alienígenas, servir de modelo para um geração…

Mas qual a motivação que vai dentro da alma de Steve Rogers, o homem? Quando ele tira a máscara, quando é um civil, longe da sociedade original onde cresceu, o que o faz levantar da cama?

Existe uma teoria.

Steve sofre de uma sensação de eterna e grande dívida. Dívida com o país, que lhe deu a chance de se tornar um mito, e não mais uma baixa em guerra. Dívida com o cientista que lhe deu uma nova vida, no processo único de transformação no supersoldado. Dívida com os amigos que perderam a vida no campo de batalha. Dívida com os investimentos e a confiança que o exército americano colocou em si. Dívida com a equipe de heróis que o aceitou como líder. Dívidas, dívidas…

Em um diálogo, numa história do Capitão América, ele já disse: “Muitas pessoas me veem como um símbolo. Não seria certo para mim tomar parte nisso”. Dívida também com as pessoas.

Numa fase em que bateu de frente com o comando do Exército americano, nos quadrinhos, Steve Rogers abandonou o uniforme clássico. Deixou a bandeira de lado, vestiu uma malha preta sem faixas e um escudo diferente. Não era mais o Capitão América. Era apenas Capitão. Curioso, uma patente sem vínculo militar…

Era o herói que o mundo esperava. Sem nação própria, poderia ser o Capitão Brasil, quando precisássemos dele. Ou da Índia, ou do Uruguai, ou de Cuba até. Contudo, a mudança não durou muito tempo.

Será que Steve Rogers sentiu falta da caserna, da hierarquia ou da submissão ao governo? É possível. Ou talvez ele não tenha conseguido viver sem a dívida. Steve não estava ligando a ninguém, e não conseguiu lidar com isso. Pediu perdão ao pavilhão ianque, por havê-lo abandonado, e voltou a vestir o uniforme bandeiroso.

Quando se vive como um (honesto) detentor de um dívida, não dá para simplesmente esquecer dela. Dirigir o carro novo é bom, mas não dá para esquecer as 72 prestações. Morar numa casa nova é bom, mas o boleto do financiamento nos lembra que faltam dezenas de prestações.

Só existem duas formas de ficar livre de um dívida: pagando-a ou não a adquirindo.

E se você é cristão, existe uma terceira: o sacrifício do Salvador.

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Porque não importa se você é vocacionado para a dívida, se é um eterno dependente dela e de sua motivação, nada adiantará na busca pelo perdão eterno.

Pode se flagelar, colecionar amuletos, ocupar a agenda com celebrações e cultos, acumular cargos… nada bastará.

Ou pode ser radical e decidir não adquirir essa dívida: “não quero dever nada a ninguém!”. Tudo bem, não existe nenhuma intenção de Deus ir contra o nosso livre arbítrio. Ele não vai escolher nada por você. Nem vai deixar de oferecer o pagamento da sua dívida – que já foi paga, por um preço muito alto. Queira ou não, ela já foi quitada. Com dor, com sofrimento, na cruz. Se não fosse assim, todos estaríamos condenados a uma eternidade de dor, a um vazio profundo. Um desespero sem fim.

Quer pagar essa dívida? Jesus morre na cruz e somos todos levados para encarar Deus. Chegou a hora de repartir a responsabilidade. O Filho do Altíssimo foi crucificado por nossa causa.

Então, vai ser quanto de chibatada para cada um? Quem tem mais pecado ganha um prego na mão ou nos pés? Pronto para a coroa de espinhos?

Viva a Graça de Deus, presente que não merecemos. A dívida foi perdoada sem custo para qualquer um de nós. Por amor.

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