ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?

MAGALI

“Tadinha, tão magrinha”
“Precisa comer mais”
“Olha quanta gordurinha, isso é sinal de saúde”
“E essa bochecha? Come que é uma beleza!”

Houve uma época na qual a infância saudável tinha relação direta com a alimentação em abundância. E não se tratava de uma quantidade suficiente de comida, realmente era algo em abundância.

Os meninos e meninas “saudáveis” tinham necessariamente pernas grossas, dobrinhas nas juntas, rostos cheios. E mandavam pra dentro mamadeiras e colheradas. As barriguinhas ficavam salientes, alguns bebês caminhavam quase que jogando as pernas para o lado. E ai daqueles que carregavam essa criançada no colo, de um lado para outro.

Parece que alguma consciência existe, hoje em dia, a respeito dos excessos. A alimentação é fundamental, sim, na infância. Mas, se não for devidamente controlada, pode trazer complicações e desequilíbrios. Já não é raro encontrar crianças obesas, entrando numa dieta controlada.

MAGALI4Sorte teve a Magali, na sua infância. A menina mais comilona do Brasil nunca apareceu com quilinhos a mais. Pode ser mérito do seu biotipo, do excesso de atividade física na infância (porque acompanhar a correria da Mônica não deve ser fácil) ou até mesmo de uma alimentação balanceada – afinal, ela nunca recusou um prato de salada sequer, sempre aceitou tudo, com muita alegria.

E a mudança de mentalidade brasileira chegou também nas criações de Maurício de Sousa. Na Turma da Mônica Jovem, que traz as aventuras da turminha na adolescência/juventude, a Magali aprendeu a controlar o seu apetite e a cuidar da forma física.

Será que ela não quer correr risco com a balança, nem com o colesterol? Ou quem sabe a Magali compreendeu que algo pode se esconder atrás de uma compulsão alimentar? Ou será que ela quer algo mais?

Foram os Titãs que levaram o brasileiro a pensar que “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte; a gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte”. E é verdade que para uma grande parcela da nossa nação, o desafio ainda é conseguir alimento. São milhares de miseráveis sem “pasto”, nem água.

E se substituirmos a compulsão alimentar pela compulsão consumista? Pode ser que você não conheça uma menina tão faminta como a Magali, mas é pouco provável que não conheça uma criança com impulso de compras. Ou que tente conciliar os dois – aquele lanche fast-food cheio de calorias, que vem com o brinquedo, por exemplo.

Pior ainda, não é um problema só de crianças. Observe qualquer liquidação para ver quantos adultos estarão desesperados por comprar isso ou aquilo – mesmo que não haja necessidade.

Veja só; ‘fome de comer’, ‘fome de possuir’.

Curioso ver que lá no Sermão do Monte, onde Jesus Cristo trouxe os ensinamentos sobre as bem-aventuranças do ser humano, a única fome que Ele promete saciar é outra – “Bem-aventurados os que tem fome e sede DE JUSTIÇA, porque serão fartos” (Mateus 5:6).

O Salvador sabia que muitos viveriam famintos pelo alimento real do corpo, na realidade injusta que vivemos. E que outros, com tanta comida à disposição, sempre desejariam preencher os pisos e os armários de coisas. Outros, até o ego.

O consolo de Deus, porém, é para aqueles que são vítimas da injustiça, que não tem os mais básicos direitos morais e humanos. Para esses, um banquete está sendo preparado.

Falando tanto em comida, bateu aquela fome? E de quê?

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