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MEU DESTINO É LUTAR

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ULTRAMAN

Ele é, literalmente, um dos maiores heróis da televisão – com 40 metros de altura e 35 mil toneladas de peso! Neste ano de 2016 o primeiro Ultraman completou 50 anos de criação. E desde que a franquia do super-herói foi lançada no Japão, em 17 de julho de 1966, a ‘família Ultra’ já teve mais de 40 membros.

Aqui no Brasil o seriado foi exibido entre os anos 1970 e 1980, para delírio de uma geração. Pergunte para alguém com mais de 40 anos, que foi criança naquela época, qual o impacto que o Ultraman original, o UltraSeven e o segundo Ultraman (Jack) tiveram na infância.

Em comemoração a esse meio século um novo longa metragem sobre o herói foi produzido. Um prato cheio pra qualquer fã ou pra quem quer conhecer um pouco mais desse mito da cultura pop. Não é difícil explicar esse sucesso. Naquela época, quando esse gênero de aventura surgiu, a televisão tinha pouca programação para a criançada. E nesse ‘cardápio’ estavam disponíveis alguns seriados japoneses, com heróis lutando contra monstros que queriam destruir o planeta. Havia também o National Kid, o Spectroman, os Vingadores do Espaço, o Robô Gigante…

Todo abnegados, dispostos a morrer para salvar a Terra. “Meu destino é lutar contra os inimigos da humanidade que ameaçam a felicidade do mundo”, dizia o Ultraman. E pra ele não tinha muito diálogo, não. Sobravam socos, chutes, voadoras e raios pra cima de qualquer um que invadisse nosso planeta.

ultra1Nesse país tropical, era difícil acompanhar essas aventuras. Primeiro, porque não era em todo lugar que a televisão sintonizava bem. E sintonizar, naqueles anos, significava girar um botão em busca do sinal transmitido, com a ajuda de uma palha de aço na antena do televisor. Depois, havia a disputa pela TV, um eletrodoméstico raro. Se algum adulto quisesse assistir outro programa qualquer – mesmo que fosse o terrível “Almoço com as Estrelas” – seria impossível vencer a discussão. Num dia de sorte, com sinal limpo e sem interferência, talvez fosse preciso superar outro desafio: esperar até o dia seguinte para ver a conclusão do episódio.

Sim, não havia essa moleza de hoje em dia! Algumas histórias eram em duas partes, com meia de hora de duração cada. Mas a emissora de TV só passava uma parte por dia, para economizar o acervo. Então, só no dia seguinte haveria a conclusão da história!

Quanto esforço essa geração fazia… Mas valia a pena. E quem se recorda desses e outros combatentes do mal, numa época onde os inimigos só queriam esmagar casas e prédios, guarda uma ponta de saudade.

Muitos episódios do Ultraman se tornaram clássicos.

Tem um, em especial, que ganhou o status de cult. Foi na segunda série, chamada também de Ultraman Jack ou “O Regresso de Ultraman”. Produzida em 1971, passou no Brasil entre 1974 e 1975, na TV Tupi, e depois a partir de 1981, no SBT (TVS naquela época).

O tal episódio, duplo, era: “Ultraman Morre ao Entardecer” (parte 1) e “Quando Brilha a Estrela de Ultra” (parte 2).

ultra5Quer entender o drama? Veja só. Era para ser mais uma invasão alienígena, mas dessa vez o Ultraman leva a pior. Não consegue vencer dois monstros que aparecem simultaneamente e é derrotado. O guerreiro fica sem energia e é preso, suspenso no céu.

Todo o Japão se desespera ao enxergar seu salvador desprovido de forças, humilhado e à beira da morte. Assim termina o primeiro episódio.

Não duvide que muitas crianças ficaram sem dormir direito naquela noite!

A trama prossegue no segundo episódio, onde os alienígenas transportam Ultraman, pelo espaço. Ele vai ser morto.

Até que o impossível acontece. Em algum lugar do espaço se reúnem as formas humanas do UltraSeven e do primeiro Ultraman. Os dois se transformam nos heróis e partem para um glorioso salvamento do ‘irmão’.
Os três Ultras estão juntos e destroem os inimigos. E a criançada ficou de boca aberta, vendo aquela união tão sonhada acontecer.

Alguns detalhes desses episódios são interessantes.

Primeiro, a tristeza e o temor que recai sobre todo um país ao ver seu herói crucificado. Não dá para deixar de lembrar de Jesus. Mas, no caso de Cristo, não houve um país chorando sua morte. Uns poucos amigos apenas, diante da cruz onde o filho do Deus foi levantando. Hoje em dia tem gente que nem se lembra que o Filho de Deus sofreu as dores de todos nós. Só querem um Jesus vencedor, que traz benção.

Outro detalhe é ver o herói, já desfalecido, voltar à vida. A sua “ressurreição” acontece graças à intervenção de um Ultra mais antigo e de outro mais poderoso. Juntos, formam uma trindade capaz de exterminar o mal que ameaçava a humanidade. Assim como na morte de Jesus, não houve vitória do mal. A luz venceu as trevas.

Por último, não dá para esquecer a forma de agir do Ultraman.

ultra4Por que ele não aparece logo?”, era o que perguntava toda criança daquela época. Na prática, isso acontecia porque cada cena dos heróis custava muito caro pra ser gravada, com tantos (d)efeitos especiais. Na história do seriado, isso era explicado da seguinte forma: Ultraman não queria tomar o lugar da humanidade nas suas decisões e no seu potencial de agir. Por isso, só entrava nos combates quando não havia mais condição do exército ou das forças especiais resolverem o problema.

Você já se pegou pensando como seria bom se Jesus Cristo viesse ao mundo em nossos dias? Ou como seria recebido se voltasse agora, para caminhar entre nós? Imagina quanta gente não estaria mais preparada para receber Sua mensagem hoje! Ninguém precisaria pregar mais nada, o exemplo estaria ali, vivo…

É a mesma coisa do Ultraman. Queremos tirar o nosso peso nesse processo, extinguir a nossa participação.

Queremos que alguém derrote o nosso inimigo, alimente nossos famintos, restaure a dignidade dos nossos humilhados e seja mais caridoso do que nós. Um herói, assim como a nação de Israel queria que Jesus agisse.

Será que é assim que funciona?

É verdade que um “gigante” – de amor, paz e humildade – nos oferece plenitude de vida e promessa de sustento na tribulação. Mas esse “gigante” quer a nossa ação transformadora em andamento. E quando a gente se colocar contra o mal que ameaça nossa sociedade, tenha certeza que o poderoso Senhor vai aparecer no momento certo, para nos ajudar.

Lembra que, para o Ultraman, o seu destino era “lutar contra os inimigos da humanidade que ameaçam a felicidade do mundo”? E não é isso que o cristão tem que fazer também?

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