ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

MUDE O CLIMA AO SEU REDOR

MUDE O CLIMA AO SEU REDOR

TEMPESTADE

Do lado de fora da mansão de Charles Xavier, localizada no distrito de Salem, New York, Ororo Munroe está perdida em seus pensamentos. De pé, na sacada que faz vista para os jardins, ela mal consegue contemplar a beleza da tarde. Sua mente divaga, trazendo lembranças que vão da infância, no Cairo, até os acontecimentos recentes. Sem que ela perceba, o vento começa a soprar mais forte. O tom de azul, do céu, logo se transforma em um cinza denso. As nuvens se acumulam, entre trovões, sobre o Instituto para Jovens Superdotados. Uma forte chuva logo virá.

– A previsão do tempo não falava em um temporal para esta tarde – diz o professor Xavier, se aproximando de Ororo.

A jovem volta a si, levemente assustada:

– Me desculpe, professor, não foi minha intenção. Vou consertar isso.

Com um leve movimento dos braços, olhando para o alto, a jovem africana se concentra. E faz as nuvens se dispersarem, trazendo de volta a predominância do sol do outono.

Os poderes de Ororo são assim; fazem o seu estado de espírito interferir diretamente no clima ao redor. E é controlando o vento e a chuva que Tempestade luta, ao lado dos X-Men, para promover a justiça, defender a humanidade e combater o preconceito sofrido pelos mutantes. Por conta dessa habilidade especial, a jovem já foi venerada como deusa africana. Mas trocou os benefícios da realeza por uma missão maior, de impacto direto na sobrevivência de uma raça. Já se foram anos de treinamento e de batalhas, mas ainda assim Ororo, às vezes, deixa que seus sentimentos afetem as estações.

E não é exclusividade dela esse poder de modificar o ambiente ao seu redor, voluntária ou involuntariamente. Você certamente conhece alguém com a mesma habilidade, na vida real.

Veja se essa situação não lhe é comum. A família está reunida, compartilhando os fatos recentes da vida, sem muito entusiasmo. É um almoço, um café da tarde ou a pizza de domingo. As conversas seguem dentro da normalidade – ou seriedade – até que alguém se aproxima. Pode ser um tio, tia, primo, prima, cunhado, seja quem for. É aquela pessoa que irradia alegria em qualquer situação. Uma enorme faísca de espontaneidade e irreverência, emoldurada por sorrisos. Logo o ambiente se incendeia. Todos fazem questão de ouvi-lo, rir das suas histórias, se defender das suas pilhérias. O clima já não é o mesmo. Uma tempestade de alegria invade o momento.

TEMPESTADE2

Às vezes nem é com felicidade que a vida ganha novas cores. Numa situação de perda ou morte pode não haver lugar para o riso. Dá para sentir o ar carregado, nuvens densas circulando entre as pessoas. As lágrimas são tantas que podem encharcar os pés. Dias que parecem não ter fim. Noites que, sinceramente, gostaríamos que fossem as últimas. Então se aproxima alguém com um brilho diferente no olhar.

Não traz nada a não ser um abraço, um beijo no rosto ou uma frase de sincera sabedoria, dita aos ouvidos de quem precisava ouvir aquilo. Ele ou ela se senta ao lado de quem está solitário, escuta com atenção quem necessita desabafar. Não traz falsas esperanças, não zomba, não mente, não tem pressa. E o clima já não é o mesmo. Parece que o sol brilha no meio de tanta tristeza e o vento começa a soprara tudo para longe. O amanhã pode, enfim, ser melhor.

Esse alguém pode ser você. Essa capacidade de trazer renovação, esperança e entusiasmo entre aqueles com quem vive não é um poder mutante – é um potencial humano. E é uma exortação cristã – “ a luz de vocês deve brilhar para que os outros (…) louvem o Pai de vocês, que está no céu” (Mateus 5:16).

A questão é que muitos só se empenham em fazer o caminho inverso. Ou será que você nunca presenciou algo assim? As pessoas estão reunidas, compartilhando momentos de alegria e entusiasmo, até que se aproxima alguém claramente irritado. Ou contrariado. Ou possuído pelo ciúmes. Esse alguém é áspero, rude, inconsequente e agressivo. Não esconde sua insatisfação, muito menos sua raiva. Mal consegue olhar diretamente para as demais pessoas. Dispara frases duras. Constrange, oprime. Gesticula com tensão e torce os lábios. Se estivesse armado, faria uma loucura. Com ou sem autoridade para isso, essa pessoa logo coloca um fim no clima anterior. E faz reinar um temporal sobre o lugar. É a personificação de um poder mutante semelhante ao de Ororo. Uma criatura que, ao perder o controle de suas emoções, contamina todo o ambiente onde está, ameaçando qualquer um no seu caminho.

Talvez você seja assim. Ou talvez esteja exercendo, nesse período de sua vida, um comportamento assim. Saiba que isso não te faz bem. Nem ao seu corpo, nem à sua alma. Saiba também que isso vai manter as pessoas longe de sua companhia. E que à medida que você insiste nessa atitude será mais difícil voltar atrás. Como uma chuva que evolui para temporal, passa para furacão e, quando menos se espera, se transforma em tornado. O fim é de destruição absoluta.

Desfaça essa tempestade. Mande as nuvens para longe. Faça os trovões pararem. E, no meio dessa confusão toda, busque abrigo da companhia de quem se importa contigo e te ama.

“Deus é o nosso refúgio e a nossa força, socorro sempre presente em tempos de aflição.

Por isso, não teremos medo ainda que a terra seja abalada e as montanhas caiam nas profundezas do oceano. Não teremos medo ainda que os mares se agitem e rujam, e os montes tremam violentamente.” (Salmo 46:1)

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