ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

O QUE APRENDEMOS COM O CASCÃO

O menino que não gosta de tomar banho faz muito sucesso da Turma da Mônica.

Divertido, adepto da reciclagem, bagunceiro, corintiano e companheiro, o Cascão traz pelo menos 6 ensinamentos valiosos:

1) Você pode passar o dia no meio da sujeira, brincar com os porcos, rolar na lama e ter prazer nessa situação – mas sabe que não pertence a esse lugar.

O Cascão sempre deixou claro que foge da limpeza. É sujinho desde pequeno e se diverte nas poças de lama. Rola de um lado para outro abraçado ao porquinho Chovinista. Atira sujeira pra todo lado e se enconde nas latas de lixo. Mas ao fim do dia, é para a casa dos seus pais que retorna. Ele não pertence à sujeira.

É algo muito semelhante à parábola do Filho Pródigo, narrada por Jesus. Depois de gastar todo o dinheiro da – antecipada – herança do pai, o jovem se vê trabalhando numa criação de porcos, e se alimentando da mesma ração dos animais. Até que resolve retornar ao lar e pedir perdão.

O Cascão, o filho pródigo, você e eu não pertencemos à sujeira, por mais que nos deleitemos nela. Sim, o ser humano pode ter realização nas situações de imundície. Se o pecado não gerasse prazer, ninguém tomaria decisões por ele. Mas existe uma hora na qual é preciso voltar casa, para limpar essa camada de lama que nos cobre.

Nem que seja usando um aspirador de pó, limpeza a seco, como o Cascão geralmente faz.

2) Não existe um plano infalível que traga sucesso imediato.

Já virou piada até dentro das historinhas da Turma da Mônica. O plano infalível para derrotar a Mônica é sempre o mil e alguma coisa. Todos, concebidos à prova de falhas, para tirar o título de “dona da rua” da menina gorducha, dentuça e raivosa. Como num passe de mágica, tudo será resolvido ali mesmo no bairro do Limoeiro, de forma milagrosa.

É curioso como o leitor dos quadrinhos se diverte com essa insistência do Cebolinha e do Cascão. É inacreditável como os dois meninos acreditam nas soluções milagrosas e absurdas para o sucesso.

Mas a gente também não é assim? Quem nunca se surpreendeu com a história daquele homem e daquela mulher que tiveram uma ideia brilhante e ganharam milhões ? Ou então, quem nunca se entusiasmou com o e-mail que conta a história de um amigo do conhecido do parente do vizinho que multiplicou sua renda centenas de vezes? E quem não colocou todo o seu dinheiro na promessa de lucro fácil? Ou, pior, de uma benção fácil…

O Cascão sabe bem disso. Ele é o primeiro a resistir aos planos infalíveis do Cebolinha, porém é facilmente convencido do contrário, chantageado ou “comprado”. Acorda, Cascão. Vai ver o que a Bíblia diz em Provérbios 13, versículo 11: “A riqueza adquirida às pressas diminuirá; mas quem a ajunta pouco a pouco terá aumento”. Sucesso imediato, só no gibi.

3) Cuidado com aquilo que você fala.

Pode até não existir uma estatística oficial, mas a conta deve ser próxima disso: em 99% dos planos infalíveis, a culpa de algo dar errado é do Cascão. Tudo vai muito bem no começo e no desenrolar, até que o Cascão deixa escapar alguma frase ou observação que revela toda intenção de vencer a Mônica. Às vezes, até o Cebolinha desiste de contar com a ajuda dele, tamanho o trauma com os insucessos.

Esse não é um problema apenas do Cascão, muito menos das crianças.

No Novo Testamento, Tiago alerta que “se alguém julga ser religioso e não refreia (coloca um freio) a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã” (Tiago 1:26).

E mais adiante, um texto clássico: “Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia.” (Tiago 3:5).

É assim mesmo, uma palavra dita na hora errada, um pensamento manifestado em palavras, e tudo vem abaixo. Mas isso só acontece nas historinhas da Turma da Mônica, correto?

4) Sempre busque proteção.

Se as nuvens estão no céu, mesmo ao longe, só saia de casa carregando seu guarda-chuva. Se o jogo de futebol é logo ali, na esquina, mantenha os olhos no céu e volte pra casa, em disparada, se começar a trovejar. Se for brincar na casa do amigo, e começar um temporal, durma ali mesmo.

Curioso é como isso tudo se aplica a quem vive, longe das fantasias do gibi, nas grandes cidades e áreas de risco. Viramos todos discípulos do Cascão, em plena era da modernidade. Temos o velho pavor das chuvas fortes e das consequências que ela traz.

Esse aprendizado também pode se aplicado à nossa vida espiritual.

Ao menor sinal de problemas no horizonte, recorra Àquele que pode te proteger e busque sabedoria e instrução na Sua palavra. Ao menor sinal de tempestade sobre sua vida, corra para Quem pode te dar abrigo. E não tenha medo de se refugiar na companhia de quem pode te ajudar a atravessar pelo temporal.

5) Seus amigos vão tentar te ajudar, muitas vezes até contra sua vontade; se nada disso funcionar, tenha paciência, na hora certa você pode aprender a lidar com seus maus hábitos.

Foi a Turma da Mônica Jovem, uma versão adolescente dos personagens, que trouxe a revelação que o Cascão, amadurecido, já não tem mais medo de água. Ele toma banho – talvez com pouca frequência – e até usa perfume, para conquistar as meninas.

Namoradeiro, o menino que gostava de sujeira aprendeu que era preciso deixar os maus hábitos para seguir adiante nessa vida. Talvez não tenha sido tão simples assim, superar esses vícios da infância.

Na Bíblia, existe a história de um homem que também tinha um comportamento não muito limpo. Jacó passou pra trás seu irmão e sua família desde o nascimento. Roubou o direito da benção do seu pai e fugiu do irmão. Era um viciado na trapaça.

Mas um dia ele resolveu se reconciliar com o passado. E curar essas feridas nem sempre é fácil. Só para conseguir chegar diante do irmão Esaú, e pedir perdão, Jacó teve que lutar com um anjo. Venceu. Ferido, mas venceu. E conseguiu o perdão do irmão. Jacó, então, teve paz em sua consciência, mas carregou a ferida no corpo pelo resto da vida. Tudo bem, melhor uma perna manca que a ferida dos relacionamentos mal-resolvidos.

Será que o Cascão também não teve que enfrentar seus medos para conseguir encarar um banho d’água? E será que não valeu, por uma boa causa?

6) É preciso pensar nos outros.

O Cascão nem sente mais o cheirinho azedo dele. Já se acostumou com as caras de nojo e a reclamação da turminha. Também se fez de surdo quando tanta gente sugere que ele tome banho.

Mas foi só a pandemia do coronavírus ameaçar todo o país que o personagem de Maurício de Sousa apareceu fazendo o que havia de mais importante para a prevenção: lavar as mãos. Porque o Cascão sabe que tem hora que a gente não pode pensar só na gente ou naquilo que achamos importante.

Foi isso que Jesus ensinou, quando escolheu entregar a vida numa cruz para morrer no lugar da humanidade. No seu lugar, no meu e até no lugar de gente que a gente acha que não merece. Mas o Filho de Deus não fez esse julgamento, simplesmente decidiu amar.

E você? Que sacrifício está disposto a fazer pelo seu próximo?

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