ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

O QUINTO ELEMENTO

AVATAR

Avatar é um desenho animado produzido pelo canal infantil Nickelodeon. Nele, o mundo é divido em quatro “reinos”, cada um orientado por um elemento natural. Então existe a Nação do Fogo, os Nômades do Ar, a Tribo da Água e o Reino da Terra.

Nessa história, há cerca de 100 anos a Nação do Fogo começou a atacar os outros povos. O conflito pode chegar ao fim com o surgimento de um Avatar, capaz de dominar os quatro elementos. Aang é uma criança, descoberta dentro de um bloco de gelo por dois irmãos adolescentes. É pequeno, bem-humorado, careca e com marcas de seta na cabeça e nas mãos. Aang é um dobrador do ar, e segundo a profecia, o último Avatar. Para conseguir cumprir sua missão terá que aprender também a dominar a água, a terra e o fogo.

É curioso ver como esses elementos ganham frequentemente a atenção das pessoas. É impossível encontrar algo que se compare ao poder do fogo, da água, do vento e da terra. O que mais existe, na natureza, de tão forte? O ferro, a indústria, a tecnologia… isso tudo depende do fogo. As plantas dependem de terra, calor e água. O gelo e a neve existem com água e vento. Lava vulcânica, só com fogo e terra…

A Bíblia não agrupa esses quatro elementos de forma mística, mas uma passagem, em especial, lista alguns numa manifestação do poder de Deus. Está em I Reis 19:

“(11) E eis que o Senhor passou; e um grande e forte VENTO fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um TERREMOTO, porém o Senhor não estava no terremoto; (12) e depois do terremoto um FOGO, porém o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada.”

É verdade que Deus não está em nenhum desses elementos. Foi Ele quem os criou e pode administrá-los. Fogo, água, vento e terra manifestaram a glória e a justiça do Senhor.

Até na vida de Jesus Cristo é possível perceber como os elementos estão presentes nas horas mais importantes. No nascimento do Messias houve uma estrela que apontou o caminho para os sábios do Oriente. Uma estrela nada mais é que um elemento luminoso, que pode ser visto à distância. Sua composição pode variar, possivelmente alcançando altas temperaturas – fogo.

No próximo momento emblemático da vida do Salvador, Ele se encontra com João Batista, no Rio Jordão. Jesus é batizado nas águas, e do céu Deus diz: “Este é o meu filho amado”.

O Salvador segue com seu ministério até a crucificação. Quando desfalece, pregado na cruz, a terra treme, segundo o relato dos evangelhos. Após sua ressurreição, Jesus é levado ao céu e promete deixar o Consolador, o Espírito Santo – vento, do original grego “pneuma”.

Uma interpretação livre, sim. Mas é interessante lembrar quantas referências a esses elementos existem na teologia cristã – Jesus é a água da vida, Deus é fogo consumidor, o Espírito Santo sopra sobre alguém etc.

Em nossos dias, as denominações cristãs se aproximam desses elementos nas suas pregações. Uma igreja oferece o batismo de fogo, outra clama para que Deus sopre e derrube a pessoa, tem aquela que defende a necessidade do batismo nas águas e outra para quem cair de rosto em terra é a maior expressão de humildade.

Não dá para negar que tudo isso pode ser importante para a vida do cristão. Porém, a impressão que se passa é a mesma lá do desenho do Avatar. Um mundo inteiro em conflito, defendendo seu elemento próprio, em busca da vitória sobre os outros. Pessoas brigando, sem acordo, sem a chance de co-existência – como se isoladamente fogo, água, vento e terra fossem o foco da mensagem de Jesus.

Não é pra ser assim. No cristianismo, as pessoas é que são transformadas. Não importa o grau de habilidade que temos com quaisquer elementos – sequer se já fomos batizados com fogo, imersos na água, soprados pelo Espírito ou caímos em terra cheios de poder.

Em João 13, versículo 35, Jesus diz: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”.

Curioso é que no desenho, o que mais impressiona o jovem Aang, o prometido Avatar, é o amor que as pessoas demonstram por ele. Mais importante que suas habilidades com os elementos ou a importância de sua missão.

Ele entende que nada mais faz sentido, senão aquele sentimento de ser amado por alguém.

Essa história não lembra a vinda de outro Salvador prometido, que tinha domínio sobre tudo? Sim, o Filho de Deus não duvidava de sua missão, nem precisou aprender a lidar com poderes sobre-humanos. Talvez porque fosse tudo muito natural para ele. Ou talvez porque soubesse que esse não era o objetivo principal da sua vida. Fogo, terra, ar e água… nada era mais importante que um quinto elemento, o amor.

Deveria ser assim também nos nossos relacionamentos.

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