ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

OS HERÓIS TAMBÉM ERRAM

Os primeiros heróis dos quadrinhos surgiram como um reflexo do ideal humano da perfeição. Isso ia além dos corpos esculpidos e das capacidades atléticas ou sobre-humanas. Essa perfeição estava representada nas atitudes que eram tomadas – e nas consequências de seus atos. Havia um certo “romantismo” na maneira de se viver.

Demorou muito para alguém compreender que a vida como ela é, imperfeita, poderia ser transportada para os quadrinhos. O mérito, segundo conta a história, é de Stan Lee, que apostou numa família dotada de poderes cósmicos esquisitos – e uma relação mais conturbada ainda. O Quarteto Fantástico trazia discussões entre o casal Reed e Sue Richards, a falta de responsabilidade de Johnny Storm e a revolta de Ben Grimm com sua forma de pedra.

Mas foi o adolescente Peter Parker quem mostrou que os heróis correm o risco de errar – como qualquer pessoa.

Foi por causa de uma ação inconsequente dele, bem antes de seguir a carreira de herói, que um inocente morreu. E não foi um inocente qualquer, foi o Tio Ben, que criou Peter como um filho. Logo depois de haver descoberto os seus poderes, o adolescente começou a se exibir em troca de dinheiro. Depois de uma dessas apresentação, ele deixou um assaltante fugir, por acreditar que não era sua obrigação deter o marginal. Horas mais tarde, Peter descobriu que o mesmo bandido havia assassinado o tio Ben. Isso marcou tanto a vida do adolescente que a partir daí decidiu se tornar o herói escalador de paredes.

Infelizmente, pouco tempo depois a vida faria Peter novamente enfrentar a consequência de seus atos. Quando a namorada de Peter, Gwen Stacy, foi arremessada do topo de uma ponte pelo vilão Duende Verde, o Homem-Aranha fez a primeira coisa que lhe veio à mente: arremessou a teia nos pés da jovem, para impedir que atingisse as águas do rio. Porém, a velocidade da queda – interrompida brutalmente pela teia – fez o pescoço de Gwen se romper, causando a morte instantânea.

A cena é, até hoje, uma das mais trágicas de todas as histórias em quadrinhos. James Kakalios, autor do livro “A Física dos Super-heróis” (The Physics of Superheroes), chegou a reproduzir cientificamente o episódio e comprovou que a solução utilizada pelo Aranha realmente mataria uma pessoa em condições reais.

E se a morte de uma pessoa é capaz de inundar um coração de culpa, o que dizer da responsabilidade pela morte de um planeta todo?

Durante a minissérie “Odisseia Cósmica”, o Lanterna Verde John Stewart não conseguiu impedir a destruição do planeta Xanshi. Acreditando que poderia combater a ameaça sozinho, John fracassou diante de uma bomba feita de um material da cor amarela, a única que impedia a ação dos seus poderes. Sem encontrar uma solução a tempo, a explosão consumiu toda a população da Xanshi. O número de vítimas sequer pode ser calculado.

Este erro deixou John à beira do suicídio. Mas o Lanterna Verde decidiu que tinha que viver com as consequências dos seus atos, carregando o peso da culpa.

Quem também matou um planeta todo foi a X-Men Jean Grey, quando perdeu o controle da Força Fênix e ceifou a vida de 5 bilhões de seres vivos, no sistema solar D’Bari.

E os exemplos de erros são muitos, entre os heróis do quadrinhos.

Hall Jordan, o primeiro Lanterna Verde da Terra, tentou destruir TODO o universo como o vilão Parallax.

O mutante Nitro explodiu um escola infantil e matou 600 inocentes.

Tony Stark, o Homem-de-Ferro, fez fortuna lucrando com a guerra, vendo armas para diversos países.

E entre os heróis da Bíblia, veja só, as coisas não foram muito diferentes.

Davi cometeu adultério e matou o marido da mulher com quem se relacionou. Moisés desobedeceu a Deus, quando fez água jorrar de uma pedra, e com isso perdeu o direito de entrar na Terra Prometida. Abraão não assumiu que Sara era sua esposa, e mentiu ao rei, dizendo que ela era sua irmã. Pedro, que caminhou ao lado de Jesus e viu tudo que Ele fazia, também mentiu e disse que não conhecia a Cristo. E Jesus… Bem, esse não “conheceu o pecado” (2 Coríntios 5:21). Mas um dia perdeu a cabeça, indignado com aqueles que transformavam o templo em fonte de renda com vendas de animais para sacrifícios.

Diante de tudo isso, preste atenção numa coisa: os erros de uma pessoa não podem definir a vida dela. Isso não quer dizer que alguém não tenha que pagar pelo que fez. A questão é que nenhuma atitude de um homem ou de uma mulher pode definir TODA a sua existência. Cumpra a sua pena, reflita, mude e siga em frente.

Quem deixa isso claro é a própria Bíblia.

Davi, apesar de todo o seu passado, é considerado o ‘homem segundo o coração de Deus’. Moisés, que jamais deixou de ser gago, foi o patriarca de toda uma nação. Abraão, é o pai da fé. Pedro, é a rocha sobre a qual a Igreja de Cristo foi edificada.

A jornada de redenção do Homem-Aranha, do Lanterna Verde John Stewart e de tantos outros heróis continua todos os meses nos quadrinhos.

E a sua? Os seus erros não te definem. As suas pisadas de bola não te definem. As suas culpas não te definem. Os seus pecados não te definem.

Jesus Cristo veio a esse mundo para trazer perdão e tirar essas correntes que te prendem ao passado. Você não é escravo dos seus erros.

Recuse a sua própria condenação. E desfrute do amor perdoador de Deus: “Eu sou aquele que apaga suas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais de seus pecados.” (Isaías 43:25)

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