ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

QUEBRANDO TUDO

GANGUE DA DEMOLIÇÃO

Na diversidade do universo dos super-heróis existe, também, uma diversidade de super vilões. E a união de forças não é mérito daqueles que defendem o bem. Assim, a maldade pode caminhar em grupos, ligas, associações, círculos, clubes, armadas, exércitos, etc.

No mundo dos heróis Marvel, existe a Gangue da Demolição – Wrecking Crew. Como o nome sugere, são marginais dotados de equipamentos ou poderes com aplicações de demolição. O líder do grupo usa um pé de cabra encantado – acredite e dê um desconto, eles foram criados lá em 1974, e na época não deveria soar tão ridículo como hoje.

Juntos, roubam bancos, invadem depósitos de ouro e atendem contratos para intimidar pessoas ou destruir qualquer coisa. A bem da verdade, com o mercado da construção aquecido, esses vilões teriam muito trabalho no setor de imóveis.

Ou dentro das igrejas.

A demolição que traria muito trabalho à gangue de super vilões não seria motivada pela grande quantidade de prédios destinados às denominações cristãs, não. Seria pautada pela postura daqueles que estão no interior dos templos.

Não faz muito tempo cantávamos uma música que falava sobre “a maior alegria” experimentada na companhia do povo de Deus. “Que prazer ver um povo de Deus louvando, tendo assim um lugar todo santo” – dizia. Realmente é um prazer ver o povo de Deus louvando. Mas essa história de um lugar todo santo…

Pequena ou grande, estruturada ou não, igreja alguma guarda santidade em si mesma. O conteúdo interno não irá, jamais, ter valor maior que o Deus adorado.

Deus não mora mais em igrejas, nem em prédio algum feito por nós. Uma cozinha pequena, minúscula, abafada, no interior de cortiço, pode ser tão santa quanto uma catedral suntuosa, de paredes revestidas com ouro. Ou seja, não faz diferença porque nenhum desses ambientes é santo.

Sabe o que é pior do que acreditar na santidade dos imóveis e ambientes? São as paredes que nós mesmos levantamos dentro deles. Paredes que fazem distinção social, cultural ou intelectual.

Ou você nunca encontrou uma pessoa com dificuldade de “se enturmar” numa comunidade, pela falta de receptividade dos membros? Já tentou fazer parte de um grupo de voluntários, que te fizeram esperar, até cansar? E quando alguém é solenemente ignorado numa congregação, pelas suas experiências e fracassos na vidas? Ou pelas suas orientações sexuais?

Isso tudo a tal Gangue da Demolição deveria colocar abaixo.

Parece que já nascemos com a capacidade de erguer esses “cômodos” na Igreja. Muitos dos quais, sem porta. Só pode participar quem já está lá dentro. E de outros, parece que não há saída.

Não dá para imaginar que isso é normal numa igreja.

O pior é quando levantamos uma “casa nova” e “guardamos” Deus lá dentro. E Ele não sai mais. Privamos o mundo da expansão do amor Divino. Nada de crescimento, de amor fraternal.

Sabe como isso acontece? Acontece quando cercamos Deus com nossa teologia, as regras da nossa comunidade, nosso catecismo e nossas – veneradas – responsabilidades.

Dá-lhe Gangue da Demolição! Não deixem tijolo sobre tijolo!

Desprovidos dessa prisão, vamos deixar que Deus flua em nós e por nós.

E quando isso acontecer, não haverá templo físico, nem qualquer “lugar todo santo” que tenha importância. Nem cômodo, contido pelas nossas paredes. Então, o amor divino será visto no ponto de ônibus, no metrô, no elevador, debaixo do viaduto, na ponte aérea, na boleia de um caminhão, no pronto-atendimento de um hospital. E esses lugares, todos, serão templo de Deus.

 

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