ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

QUER UMA CÓPIA SUA?

MULTI-HOMEM

“E LÁ VAMOS NÓS!” – esse era o grito de guerra dos Impossíveis, um grupo de heróis formado por Homem-Mola, Homem-Fluido e Multi-Homem. Foram produzidos apenas 36 episódios do desenho animado, em 1966, mas a carreira deles seguiu nos quadrinhos – e na cultura pop.

Se você nunca assistiu as aventuras deles, ou não se lembra, vale um breve flashback. Os heróis se disfarçavam de uma banda de rock, no estilo dos Beatles, e se transformavam nos Impossíveis quando recebiam um chamado do chefe. O palco onde a banda se apresentava era, na verdade, um carro voador. E lá iam os três combater o crime. Homem-Mola esticava os braços e pernas como molas. O corpo de Homem-Fluido era líquido e podia assumir diversas formas. E o Multi-Homem projetava cópias de si mesmo.

É difícil não considerar o Multi-Homem o mais interessante dos três. Tinha um cabelo comprido, um uniforme bonito e um escudo. Nas brincadeiras da época, muitos meninos queriam ser o Multi-Homem. Coitado dos outros dois heróis.

Quando o Multi-Homem projetava as cópias de si mesmo, todas estavam sob seu controle. Frequentemente ficavam lado a lado, em sequência – e como dominós eram às vezes derrotadas, tombando umas sobre as outras. Quando a estratégia dava certo, as cópias funcionavam como ligação entre prédios ou escada para uma fuga. Até a forma de cela assumiam, para prender os bandidos. E todas as cópias do Multi-Homem permaneciam iguais, sob controle.

Um poder invejável! Afinal, quem nunca quis ter cópias de si mesmo? Reproduções idênticas, sob controle, para dividir ocupações, tomar o lugar em algumas ocasiões, assumir responsabilidades e trabalhar enquanto se descansa… As vantagens seriam muitas.

Mais incrível que o grupo de heróis é saber que agimos em busca de nossas cópias.

Quantas vezes já tentamos fazer das pessoas ao nosso redor – parentes, amigos, colegas de trabalho ou apenas conhecidos – cópias de nós mesmos? Quantas brigas já tivemos por não conseguir opiniões concordantes com aquelas que possuímos? Que inimigos já fizemos ao encontrar e bater de frente com conceitos diferentes dos nossos?

A situação é mais complicada quando queremos falar do amor de Deus pela humanidade. Que limite temos? Até onde levar a pregação sem transformar o evangelho numa máquina de copiar crentes?

Havia um tempo, na história da humanidade, que a figura do Mentor, do Mestre, era frequente no processo de formação do caráter do jovem. Caminhava-se ao lado daquele que trazia inspiração para a vida, que se apresentava como modelo de integridade.

No cristianismo, perdemos essa referência até no relacionamento com Jesus. Ele é nosso Mestre só no nome. Na prática, O tratamos como um professor ou chefe. Alguém com hora certa para ser encontrado e obedecido. Parece que o exemplo do Salvador só vale quando nos convém.

Paulo tinha essa compreensão. E a coragem para incentivar a Igreja cristã emergente a seguir os seus passos, como Mestre também. Sem nenhuma pretensão de tomar o lugar do Salvador:

“Rogo-vos, portanto, que sejais meus imitadores” – I Coríntios 4:16

“Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo” – I Coríntios 11:1

“Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados” – Efésios 5:1

E vai além, recomendando que todos se tornem modelo para os demais:

“Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós” – Filipenses 3:17

“Para que não vos torneis indolentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas” – Hebreus 6:12

Que Deus nos ajude a seguirmos o único modelo que vale a pena. Porque “cristão” nada mais é que um Cristo em miniatura, em cópia. E LÁ VAMOS NÓÓÓS…

 

 

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