ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

UM TOQUE PROIBIDO

VAMPIRA

Conheça a história de Vampira.

Seu nome, pelo que se sabe, é Anna Marie.

Olhos claros, cabelos com uma mecha branca. E um poder mutante que extrai memórias, habilidades e energia daqueles que toca. Tudo começou na adolescência. Nas histórias em quadrinhos, ainda quando era chamada apenas de Rogue, ela foi criada por uma terrorista e se tornou uma vilã na luta entre mutantes e humanos. Vilã porque acreditava que os fins – de sobrevivência do mais forte – justificavam a extinção daqueles que não eram dotados do gene X.

Até que conheceu os X-Men, que a ensinaram a controlar melhor seu poder. Poder que Vampira considera uma maldição, por afastá-la daqueles que ama. Afinal, ela não pode ter um contato mínimo de pele com alguém, sem colocar em risco a vida da outra pessoa.

Conheça agora a história de Paul Raj. Um jovem de carne e osso, longe das histórias em quadrinhos, dos desenhos e do cinema.

Ele viveu 21 anos na Índia sem poder tocar ninguém, porque nasceu numa “casta”, num grupo que é considerado a escória da sociedade.

Nesse regime social, a casta à qual pertence um indivíduo define como será a sua vida em termos profissional, pessoal e afetivo. Apenas pessoas da mesma casta podem se casar. E não é possível sair de uma casta e passar para a outra.

No caso de Paul Raj, ele era de uma casta “impura”. Na infância, viu o irmão ser amarrado a uma árvore, com as pernas cobertas de formigas, só por ter entrado no jardim de um vizinho. Paul não podia beber água do rio no mesmo lugar onde todos bebiam, não podia ir a lugares públicos e nem frequentar a escola.

Para conseguir estudar, teve que ser enviado pelos pais a um orfanato.

Como bom aluno, entrou na faculdade. E enfrentou discriminação, quando os colegas descobriram a que casta ele pertencia. Mudaram a forma como o tratavam e sempre deixavam carteiras vazias ao redor dele. Na faculdade, Paul conheceu uma garota que não concordava com essa divisão de castas. Iam a lugares públicos juntos e começaram a namorar, um ano depois.

Foram necessários muitos outros anos até que Paul conseguisse obter o maior presente da sua vida. Quando alcançou uma vaga num programa de estágio, em Londres, Paul Raj foi abraçado pela primeira vez, pelo responsável pelo projeto.

Em toda sua vida, foi a primeira vez que alguém que não era de sua família o havia tocado. Nem com a namorada teve esse contato, em seis anos juntos. Dela, nem havia ganhado um beijo no rosto.

É a história real de alguém que vive o drama de Vampira. Paul também é um “mutante”. Porém com a capacidade de, após essa vivência, nos fazer parte das suas tristes lembranças.

A Bíblia também fala de mulheres e homens que não podiam ser tocados e, como Paul Raj, eram discriminados. No caso mais conhecido, os leprosos tinham que abandonar a própria família, viver em comunidade do lado de fora das cidades e permanecer longe de outras pessoas “normais”.

Houve um, especial, que teve coragem para quebrar essas regras. Esse se aproximou de Jesus para ser curado. Em Mateus 8:2 lemos que um leproso “o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo”. Não lemos que o homem ousou tocar Cristo. Talvez ele não tivesse sequer coragem de imaginar isso acontecendo.

Mas houve um toque. O milagre da cura começou com uma mão estendida, com piedade e amor. Jesus esticou o braço até aquele homem e tocou primeiro o corpo, para depois a cura percorrê-lo. O que será que assustou mais o leproso; ser limpo ou ver a pele sã de um galileu tocar sua ferida?

E o que nos impede de ter mais intimidade com as pessoas ao nosso redor? Medo de que elas conheçam nossos segredos mais íntimos? De que roubem nosso tempo, absorvam nossa paciência, gastem nosso dinheiro ou descubram nossos segredos? Medo que pensem ao nosso respeito? Ou do que pensem a respeito do nosso contato com o outro?

Parece tão difícil romper essa barreira como era para um homem limpo tocar um impuro leproso. Jesus mostrou que fazer isso é possível.

Baixar em PDF