ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

A FORÇA É DEUS? Parte 2

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A FORÇA

A “Força” é um ponto polêmico dos filmes da série “Guerra nas Estrelas”. Como Deus, ela é impessoal. Não pode ser vista, não pode ser tocada e está em todo lugar – inclusive dentro do homem. A “Força” pode ser manipulada e, por isso, não é uma manifestação exclusiva do bem.

A ‘Força’ é o que dá a um Jedi o poder. É um campo de energia criado por todas as coisas viventes. Está ao nosso redor e dentro de nós” – diz Obi Wan em “Guerra nas Estrelas”.

“Eu pus A Força no filme”, explicou George Lucas em uma entrevista, “com a intenção de despertar um certo tipo de espiritualidade em jovens, mais uma fé em Deus que uma fé em qualquer tipo particular de sistema religioso. Eu queria fazer com que jovens se interessassem por questões sobre o mistério. Não ter nenhum interesse nos mistérios da vida, para perguntar ‘existe um Deus ou não existe um Deus?’, para mim é a pior coisa que pode acontecer. Eu acho que você deve ter uma opinião sobre isso. Ou você deve dizer ‘eu estou procurando’, ‘eu estou muito curioso sobre isso e vou continuar procurando até eu encontrar uma resposta, e se eu não encontrar uma resposta eu vou morrer tentando’”.

Em outra entrevista, George Lucas admitiu que está no grupo dos que estão procurando, que acredita em um deus, mas não sabe quem é ele. Já a mulher do diretor, Márcia, disse a uma revista americana que a “Força” é muito real para George Lucas e que ele realmente acredita que ela existe: “George diz que não, porque ele acha que as pessoas vão considerá-lo um idiota se ele fizer isso”.

As manifestações da “Força”, nos filmes da série, são as mais diversas. Confira as principais:

Episódio 1 – “A Ameaça Fantasma”
O filme usa muitos conceitos da “Força” lapidados nos episódios da segunda trilogia – que foi lançada anteriormente. Assim, fica claro que os Jedis são “guardiões da paz e da justiça”, que se preocupaYADDAFORCA14m com o futuro sem afetar o presente. Isso porque, conforme já havia sido mostrado em “O Império Contra Ataca”, um Jedi teria o poder de ver o futuro, a curto prazo. Além das capacidades mostradas por George Lucas nos filmes anteriores, aqui os Jedi estão mais hábeis no comando de seus sabres de luz e conseguem levar seus corpos a limites sobre-humanos. Em uma sala cheia de gás venenoso, mantém a respiração presa por longo tempo e, sob a névoa, se desviam dos tiros disparados por robôs. Escondidos em uma nave, se tornam ainda invisíveis aos sensores para encobrir uma fuga.

Na primeira referência ao poder universal da “Força”, o mestre Jedi Quin Gon Jinn diz que ela irá guiá-los pelo fundo do oceano, através dos perigos. Quin e seu jovem discípulo Obi Wan sentem perturbações na “Força” e a usam para mover robôs (telecinese) e mudar a vontade das pessoas de mente fraca.

Enquanto os três primeiros filmes produzidos (episódios 4, 5 e 6) mantem a aura de misticismo ao redor da “Força”, em “A Ameça Fantasma” a preocupação é trazer uma definição científica. Quin Gon Jinn explica que existem formas de vida microcópicas dentro das células vivas do organismo: as midi-chlorians (um possível paralelo com os mitocôndrias, corpos microscópicos existentes em todas as células e que contém enzimas responsáveis pela transformação de comida em energia).

Sem elas não haveria vida. A “Força” seria a recompensa pela sobreviência desses “parasitas” em todos.

Anakin Skywalker tem uma quantidade muito grande dessas midi-chlorians em seu sangue, maior até que o mestre Yoda, o que faz Quin acreditar que o menino foi gerado pelas próprias substâncias, segundo explica ao conselho Jedi.
Por este motivo, Quin vê a necessidade treiná-lo no bem, antes que seja alcançado pelo lado negro da “Força”. Assim, o pequeno Anakin é inspirado a não ter medo. “Sinta, não pense, use seus instintos”, aconselha Quin.

Diante do conselho Jedi, ao apresentar Anakin, Quin diz que “encontrá-lo foi desejo da ‘Força’”. Ao que Yoda alerta: “Medo é o caminho para o lado escuro, medo leva à raiva, raiva leva ao ódio, ódio leva ao sofrimento”. E vislumbra que Anakin se tornará Darth Vader: “Nebuloso o futuro é”.

Episódio 2 – “A Guerra dos Clones”
Neste filme, a “Força” ainda é usada para mover objetos, modificar pensamentos, YADDAFORCA7antecipar situações de perigos e ampliar a capacidade humana. A maior surpresa no emprego da “Força” está em Yoda, em um dos confrontos finais, quando mostra uma habilidade incomparável com o sabre de luz, duelando em alta velocidade e se movimentando com facilidade pelo ar. O pequeno guerreiro ainda consegue sustentar, mentalmente, uma coluna que desaba sobre Anakin e manter o controle do combate.

Anakin é quem demostra possuir o menor controle do poder, como aprendiz. Não obedece as ordens de Obi Wan Kenobi e se deixa levar pela raiva, quando vê a mãe morrer em seus braços. Em um ato de ira, extermina toda a tribo do povo da areia, não poupando nem as mulheres e as crianças. É um indício de sua inclinação para o lado negro da “Força”.

Episódio 3 – “A Vingança dos Sith”
No terceiro filme desta trilogia, o foco é a derrocada de Anakin, que se volta para o lado negro da “Força”, mesmo depois de desenvolver extraordinário poder de controlá-la. No meio do longa-metragem, Anakin já está obediente às ordens do Imperador, insatisfeito com sua caminhada Jedi. A “Força” ainda é usada para mover objetos, em movimentos acima do padrão humano e na defesa de ataques. No combate final, mesmo com toda sua habilidade, Anakin é derrotado por Obi Wan e fica à beira da morte. O jovem resiste, é resgatado pelo Imperador, tem o corpo reconstruído e se torna Darth Vader.

Episódio 4 – “Guerra nas Estrelas – Uma Nova Esperança”
Neste, que é o primeiro e mais antigo filme de toda a série, Darth Vader e Obi Wan Kenobi apresentam ao público as primeiras manifestações da “Força”. Vader afirma que a “Força” é mais poderosa que qualquer armamento já fabricado. Apenas com o pensamento, ele mata um dos seus generais por haver chamado a “Força” de “feitiçaria”.

Curiosamente, a teoria da “Força” teria sido trazida por George Lucas exatamente de uma obra de feitiçaria. Dave Pollock, que entrevistou o diretor por um longo período na preparação da biografia de Lucas, diz que o conceito da Força foi influenciado pelo livro “Tales of Power” (Contos de Poder ou Contos da Força), de Carlos Castaneda. O livro é sobre um feiticeiro mexicano, Don Juan, que usa o termo “força da vida”. O ceticismo dos oficiais do Império não é compartilhado pelos soldados rebeldes. Nas sequências de batalha, é com naturalidade que o comandante ordena a saída dos caças desejando “que a ‘Força’ esteja com vocês”.

YADDAFORCA5A capacidade sensorial trazida pela “Força” fica provada desde o início do filme. Vader, Obi Wan e Luke Skywalker (filho de Vader) sentem a presença das pessoas e até dos robôs por meio da “Força”. Obi Wan fica abalado quando a Estrela da Morte destrói um planeta inteiro. Em choque, ele afirma ter sentido um “distúrbio na ‘Força’” e ouvido “milhares de vozes gritando”. Obi Wan é quem demostra a capacidade de manipulação das mentes através da “Força” e consegue enganar um grupo de soldados do Império, fazendo-os acreditar em tudo o que diz. A “Força”, ensina ele, domina mentes fracas. “Ela controla nossas ações em parte” e “podemos senti-la fluindo dentro nós” são as mais significativas explicações sobre a “Força”.

Na primeira versão do roteiro de “Guerra nas Estrelas”, George Lucas descrevia Kenobi como “um salvador, e ele deve ser conhecido como o Filho dos Sóis”. Na segunda versão isso mudou e a “Força” ganhou um lado bom e um lado ruim. O lado bom da “Força” teria sido chamado de Ashla, o que pode ser uma transliteração de Aslan, o leão e símbolo do cristianismo das obras de C. S. Lewis. O lado ruim teira sido chamado de Bogan, ou “paraforça”, representando o mal. Isso acabou não chegando ao cinema.

Se Obi Wan é capaz de sentir a oscilação na Força mediante os atos terroristas do Império, o lado negro possui poder semelhante. Desde o desaparecimento e suposta morte de Kenobi, a Força permanecia “estável”, afirma Darth Vader. O reaparecimento do Jedi teria causado uma oscilação na “Força”, percebida por ele.

No confronto final entre ambos, Vader afirma que os poderes de Obi Wan Kenobi estão fracos, o que significaria que cada cavaleiro nada mais é que uma “bateria” da “Força” – teoria repetida por Yoda em “O Retorno de Jedi”. A “Força” não teria condições, portanto, de tornar ninguém eterno.

A sequência de combate entre Vader e Kenobi, o primeiro confronto entre dois cavaleiros Jedi produzido na série, termina revelando uma das características espirituais da força – veja adiante, no trecho sobre a relação da morte e a “Força”.

Por três oportunidades, Luke “ouve” Obi Wan em sua mente neste filme, após a morte do mestre. A primeira, imediatamente após o assassinato do Jedi; a segunda quando está decolando num caça rebelde, rumo ao ataque à Estrela da Morte, e a terceira durante o ataque à Estrela. É nessa terceira oprtunidade que Obi Wan aconselha Luke a deixar a força “fluir”, guiando suas mãos no tiro final.

Episódio 5 – “O Império Contra-Ataca”
Luke ganhou mais habilidade no uso da “Força”, no período entre o filme anterior e este. Logo no começo do longa, ao ser capturado por uma criatura do gelo, o Jedi consegue mover o sabre de luz com a mente e trazê-lo até sua mão, para se libertar. Desmaiado, após o combate com a criatura, Luke vê pela primeira vez a forma astral de Obi Wan Kenobi. O espírito fala que Luke deve se dirigir para outro planeta e procurar Yoda, o último mestre Jedi vivo, a fim de completar o seu treinamento.

KPADSTKAFORCA1Darth Vader demonstra mais uma vez o domínio da “Força” e mata um oficial, à distância, por meio de um sistema de vídeo, após o fracasso de uma operação. Em outra sequência, mata mais um comandado. O Imperador adverte Vader sobre a perturbação que o filho de Sklywalker traz à “Força” e determina que seja morto. Vader tenta evitar a morte do filho e afirma que pode “convencer Luke” a se voltar ao lado negro da “Força”.

Luke se encontra com Yoda e o vê conversar como espírito de Obi Wan Kenobi, relutante com a missão de treinar um adulto para se tornar Jedi. E é do pequeno mestre que surge a maior quantidade de revelações sobre a capacidade da “Força”, de todos os seis filmes.

“Ira, medo, agressão… estão no lado negro”, alerta Yoda. “Consumarão sua vontade, como fizeram com Vader”. Yoda explica que o ladro negro é o mais fácil e sedutor, por isso a “Força” pode matar alguém. Um Jedi autêntico precisa aprender que a “Força” não é usada para atacar, que “a Força cria a vida e a faz crescer, a energia nos une”.

Para aperfeiçar a “Força”, Luke é levado aos seus limites. Em uma situação, ele precisa se manter de cabeça para baixo, levitar uma pedra com a força do pensamento e equilibrar o próprio Yoda em um dos pés. Tudo, por meio da “Força”.

Skywalker fracassa e escuta que é preciso “desaprender o que aprendeu” e que o poder “para levantar um pedra é o mesmo que para levantar uma nave espacial”. “Tamanho não importa, olhe para mim”, explica o mestre Jedi, antes de fazer um caça espacial flutuar – apenas com o pensamento.

Luke fica chocado: “Eu não acredito”. Yoda lamenta: “É por isso que não consegue”.

O pequeno mestre Jedi também afirma que a “Força” dá capacidade a um Jedi de “ver o passado e o futuro, amigos que não vê mais”. Luke, então, com o pouco que aprendeu, tem a visão dos seus amigos sofrendo em uma cidade das nuvens, e pergunta: “Eles vão morrer ?”. “Difícil dizer”, explica Yoda, “o futuro está sempre em movimento”. A “Força”, portanto, não tem capacidade de interferir nas visões ou de contemplar um futuro a longo prazo.

Os aspectos da “Força”, apresentados por Yoda, tem semelhanças com o budismo. Ele ensina a Luke que a “Força” necessita de esforço na busca de um viver tranquilo e passivo; deve ser usada para conhecimento e defesa, não para agressão; e necessita de otimismo, e não de pessimismo.

Na sua primeira aparição em um confronto, Darth Vader demonstra outros poderes da “Força”: impede que os tiros de Han Solo cheguem até ele, bloqueando-os com as mãos. Depois, toma a pistola do piloto com o pensamento. No combate com Luke, arremessa muitos objetos, de diversos tamanhos, com o pensamento.

Luke foge e é graças à “Força” que escapa da morte, ao se comunicar mentalmente com a princesa Léa, pedindo ajuda.

 

YADDAFORCA17Episódio 6 – “O Retorno do Jedi”
Nesse longa, o último da trilogia original, Luke já não se considera mais um aprendiz de Jedi. Como Obi Wan Kenobi, ele já domina o poder de influenciar o pensamento alheio. Com a “Força”, abre passagem entre os guardas e influencia atitudes.

Mas o filho de Anakin Skywalker ainda não tem tanto poder como imagina. “Ele está usando um velho truque mental Jedi”, diz Jaba, imune ao controle da vontade, que só funciona com as pessoas fracas.

Ciente de suas deficiências no lidar com a Força, Luke retorna para a companhia de Yoda, a fim de completar o seu treinamento. Já fraco e à beira da morte, o pequeno mestre deixa claro que o poder de um Jedi flui da “Força”, mas esta não é capaz de mantê-lo vivo para sempre. O Jedi seria como uma bateria da “Força”, que um dia pode não ter mais a capacidade de contê-la. “Raiva, medo, agressividade estão no lado negro”, afirma. Yoda morre e Obi Wan aparece mais uma vez em sua forma astral para Luke, com um alerta: “Enterre fundo seus sentimentos, eles podem ser usados pelo Imperador”.

No combate final deste filme, Luke enfrenta Darth Vader e posteriormente o Imperador, para destruir a Estrela da Morte. Lutando com raiva, o jovem perde o confronto e fica à beira da morte, quando é salvo por Vader, que mata o Imperador.

 

A MORTE NA FORÇA

“Se você me atingir, ficarei mais forte”, afirma Obi Wan Kenobi no confronto com Darth Vader, em “Guerra nas Estrelas”. Essa seria uma explicação para o processo de transubstanciação dos cavaleiros Jedi – cuja “consciência” seria sustentada, mesmo após a morte, pela “Força”.

Obi Wan fecha os olhos e se concentra, num estado de transe, antes de ser assassinado pelo golpe fatal de Darth Vader. O velho cavaleiro Jedi desaparece, então, e deixa seu manto no chão. Instantes depois, já se comunica mentalmente com Luke.

Yoda tem o mesmo destino e, depois que morre, deixa sua cama vazia – vindo a aparecer em forma “astral”.
Apenas Darth Vader, o Jedi que se voltou ao lado negro da “Força”, não desaparece depois de morre. YADDAFORCA6Gravemente ferido, vem a falecer nos braços do filho Luke, que leva o corpo para ser queimado na floresta de Endor. Mesmo assim ganha uma forma “astral” e aparece, ao lado de Obi Wan e Yoda, para Luke, ao final de “O Retorno do Jedi”.

Dessa forma, será que apenas os corpos dos Jedis, que não usam o lado negro da “Força”, passam pela transubstanciação e desaparecem ao morrer? Essa poderia ser a teoria a mais provável, se não houvesse a morte de Quin Gon Jin em “A Ameaça Fantasma”. Nesse longa, o corpo do cavaleiro Jedi, assassinado por Darth Maul, não desaparece. Gravemente ferido, Quin Gon Jin ainda é amparado pelo jovem Obi Wan Kenobi, que recebe a ordem para treinar Anakin Skywalker. O corpo do Jedi é levado por Obi Wan para ser queimado – como Darth Vader.

Darth Maul, cortado ao meio por Kenobi ao fim da luta, cai morto em um fosso do palácio real, e não desaparece. E o Imperador, lançado em um fosso também por Darth Vader, no final de “O Retorno do Jedi”, também não desaparece ao cair. Nem Mace Windu, nem outros Jedis assassinados em “A Vingança dos Sith”. Não fica claro, portanto, qual a regra para desaparecimento dos corpos dos Jedis diante da “Força”.

 

Confira, no texto seguinte, a conclusão a respeito da relação da “Força” com Deus.

A Força é Deus? Parte 3:

https://www.deusnogibi.com.br/textos-de-apoio/a-forca-e-deus-parte-3/

 

 

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