ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

A FORÇA É DEUS? Parte 3

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CONCLUSÃO

A série “Guerra nas Estrelas” pode ser vista como uma analogia intrigante da história do cristianismo, do seu começo como fé genuína ao seu declínio pela corrupção da igreja.

 

PARALELOS BÍBLICOS

Muitas são as semelhanças entre a história do jovem Anakin Skywalker e a de Jesus Cristo. Anakin, segundo a série “Guerra nas Estrelas”, nasceu de uma virgem. Quando Qui Gon Jinn, o mestre Jedi que treina Obi Wan Kenobi, pergunta à mãe de Anakin quem é o pai do menino, ela responde: “não existe um pai”. O jovem Skywalker é mais tarde descrito por Jinn como “virginal”, nascido de uma virgem, gerado a partir das Midi-chlorians.

Anakin vive como escravo num planeta dominado pela Federação Galáctica, que mais tarde se tornará o Império. A forma de governo da Federação é semelhante à do império romano, com um senado – retratado como ineficiente.
O Filho de Deus também veio ao mundo em uma região oprimida, na Judéia, durante o governo romano. A morte dos primogênitos, durante a anunciação da vinda de Cristo, é uma prova da opressão à qual estavam submetidos.
As semelhanças vão além.

Depois que descobre o potencial de Anakin, Qui Gon Jinn toma o menino especial sob sua tutela e o leva para o conselho Jedi, que relutantemente aceita que seja treinado – apesar de reconhecerem a quantidade de poder que existe nele e o risco disso.

Na narrativa bíblica, João Batista, o profeta que viveu antes de Jesus, reconheceu que havia sido enviado para preparar o caminho daquele “de quem não era digno de amarrar as sandálias”, Jesus.

Anakin Skywalker volta para o planeta Tatooine, onde nasceu, para libertar os escravos e salvar sua mãe – um ‘Salvador’, como Jesus. Algumas das falas de Analink e de sua mãe, em “A Ameaça Fantasma”, apontam para textos bíblicos e os feitos de Jesus:

“Ele (Anakin) nasceu para ajudar vocês”
Paralelo = Mateus 1:21
“Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados dele.”

“Ele (Anakin) tem poderes especiais”
Paralelo = Lucas 5:26
“Todos ficaram atônitos, davam glória a Deus e, possuídos de temor, diziam : hoje vimos prodígios.”

“Ele (Anakin) parece prever os acontecimentos”
Paralelo = João 1:48
“Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces ? Respondeu-lhe Jesus : antes de Felipe te chamar eu te vi, quando estavas debaixo da figueira”.

“Não houve pai. Eu o (Anakin) gerei, dei a luz e criei”
Paralelo = Mateus 1:20
“José, filho de Davi, não temas receber Maria como tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo.”

“Você (Anakin) trouxe esperança para aqueles que não tinham”
Paralelo = Mateus 4:16
“O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.”

“Mãe, você sempre diz que o universo é mau porque ninguém ajuda ninguém” (Anakin)
Paralelo = Lucas 10:27
“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”

Quando Anakin é levado diante do conselho Jedi, é questionado pelos mestres se ele não seria aquele do qual as profecias falavam: “aquele que vai trazer equilíbrio à ‘Força’”. Jesus foi o prometido de Israel, o Verbo de Deus.

Mas as semelhanças podem parar por aí.

YADDAFORCA4Anakin, o prometido, o ‘Salvador’, cede ao mal e se volta para o lado negro da ‘Força’.
O que George Lucas pode ter criado, então, na série “Guerra nas Estrelas”, é a mitologia de um universo no qual o “prometido” falha em sua missão redentora. Anakin Skywalker representaria a visão de um ‘Salvador’ derrotado, que se corrompe ao firmar uma aliança com o Império. E, ainda, se esse ‘império’ for uma representação do clero, da época de Jesus, a história de “Guerra nas Estrelas” pode ser paralelo com o fracasso de um Cristo que abraça uma igreja sem comprometimento com os valores do Reino de Deus.

“A Ameaça Fantasma” mostraria, portanto, o que aconteceria se Jesus não tivesse sucesso na sua missão. Vista ao todo, a série “Guerra nas Estrelas” pode ser uma analogia de um ministério fracassado.

 

LUKE SKYWALKER

Luke Skywalker, filho de Anakyn/Darth Vader, apareceu no primeiro filme lançado, em 1977, trazendo um
pouco do idealismo yankee. Luke é o apelido de George Lucas (quase soando como Lucky, “sortudo”). E é aquela “que caminha no céu” (
sky walker), com a cabeça nas nuvens. É um jovem que não está satisfeito com a vida que tem, numa fazenda, nem com a situação do universo, sob o jugo do Império. É alguém que sonha com um futuro melhor, um aventureiro disposto a responder o chamado do destino.

YADDAFORCA8E sua história também tem paralelos com a de Cristo.
Assim como Jesus, Luke também foi escondido ao nascer, para não ser morto pelo Imperador – como mostrado no terceiro filme de Star Wars, “A Vingança dos Sith”.

O jovem que se tornará um Jedi foi criado pelos tios em um planeta distante, pobre, sem nunca saber o paradeiro de seus pais verdadeiros. A ele, contaram que o pai, Anakin Skywalker, havia morrido durante uma batalha. Luke descobre, mais tarde, que seu pai na verdade é Darth Vader, e que a sua existência fora mantida em segredo para que não fosse morto.

Na primeira versão da história escrita por George Lucas, Darth Vader era descrito como o diabo, e Luke Starkiller – nome original do personagem, algo como o “o assassino das estrelas” – era apresentado como Deus.

Na trilogia original é grande a impressão de que Darth Vader representa o inimigo das nossas almas.

Quando ele encontra com Luke Skywalker e se esforça para levá-lo ao lado negro da “Força” é clara a semelhança com a passagem em que Jesus Cristo é tentado por satanás no deserto. As mesmas promessas de poder e riqueza aparecem.

Se observamos a primeira trilogia como obra fechada, é muito mais fácil compreender as relações de Luke e Vader como Jesus e o diabo, o bem e o mal. Já a segunda trilogia – e as mudanças de conceito da “Força” – modifica essa visão e fazem com que o jovem Anakin apareça como um messias.

A FORÇA É DEUS?

A saga de George Lucas não faz menção a deuses ou semi-deuses, sacerdotes ou religiões, templos ou sacramentos. Nos seis filmes originais, uma referência a divindades surge em “O Retorno de Jedi”, após a captura dos rebeldes na selva, quando C3PO é venereado como um deus Ewok.

Em “A Ameaça Fantasma”, quando Jar-Jar Blinks pergunta para o jovem Obi Wan para onde ele e Quin Gon Jinn vão, a resposta é: “para o fundo do inferno”. Existe, então, um conceito de céu e inferno nesse universo?

Sobre a fisionomia diabólica de Darth Maul, o guerreiro do lado negro do Episódio 1, George Lucas já explicou que estava tentando criar um vilão que fosse tão mal quanto Darth Vader. “Então voltamos para as representações do mal. Não apenas no Cristianismo, mas também Hinduímos e outros ícones religiosos, assim como os monstros da mitologia grega”.

Ainda assim, O diretor nega qualquer relação exclusiva e direta dos filmes com a fé cristã.

Veja o que ele diz sobre este assunto e sua observação sobre “todas as religiões”:

“Eu não vejo Guerra nas Estrelas como profundamente religioso. Eu vejo como pegando tudo das religiões e tentando construir uma outra moderna e facilmente acessível. Eu lembro quando tinha 10 anos e perguntei para minha mãe porque havia tantas religiões se havia apenas um Deus. Eu tenho meditado sobre isso e cheguei à conclusão que todas as religiões são verdadeiras. Religião é basicamente um container para a fé. E fé em nossa cultura, nosso mundo, e no nível espiritual, é uma parte muito importante para o equilíbrio. Eu acho que definitivamente existe um lugar para religiões organizadas. Eu odiaria viver um mundo moderno onde diversão passe alguma forma de experiência espiritual”.

Em outra ocasião, Lucas defendeu a origem do conceito da “Força” no Budismo: “Eu acho que é mais visível (o conceito da força) no Budismo, mas é uma noção que existe antes disso.”

YADDAFORCA2A “Força”, como fica claro nos filmes, pode ser manipulada pelo bem e pelo mal, não possui moral em si mesma. Logo, a “Força” não é Deus – bom, Santo e justo. Pelo menos não o Deus da Bíblia. Com base em tudo que foi mostrado na série, a “Força” é possuidora de uma dupla natureza, uma entidade dualística, algumas vezes pessoal, e em outras impessoal (energia criada e mantida por todas as coisas vivas).

A “Força” tem uma personalidade passiva quando o bem está dominante, e é sedutora quando o lado mal cresce. Yoda alerta: “uma vez que você comece o lado mal, ele vai dominar o seu destino”.

O Deus da Bíblia não possui um lado mal ou negro, apenas justiça e graça, um amor infinito por aqueles que criou e a quem ofereceu o próprio Filho em sacrifício. Esse ser Criador, pessoal, autêntico, é absolutamente DEUS, o autor de todas as coisas (João 1:3), que se revela ao homem em três pessoas (2 Coríntios 13:14); que é amor ( I João 4:8), que é luz, sem treva nenhuma (I João 1:5).

Portanto, a “Força” criada por George Lucas jamais pode ser compreendida como Deus.

Deus é espírito (João 4:24) e não habita em nenhuma pequena parcela do nosso corpo, como sugere a “Força”. Ele sempre vai existir (Salmos 139:7 – 12) e reunirá em si todo o poder (Jeremias 32:17). Portanto, ninguém poderá confrontá-lo jamais.

NEle reside todo o conhecimento (I João 3:20) e toda a sabedoria (Atos 15:18). Deus não sabe o futuro porque Ele não se dobra ao tempo – enquanto o conceito criado por George Lucas mal consegue vislumbrar os momentos seguintes.

Não existe nenhuma possibilidade de Deus dividir sua moral e justiça, entre bem e mal. Ele é bom apenas (Salmo 136:1) e abomina o mal (Salmo 5:5 e 6). É santo (Apocalipse 4:8), justo (Salmo 89:14) e concentra todo o amor (I João 4:8 – 16).

Se existe uma entidade que concentra e representa o mal, é satanás, que tenta nos afastar de Deus, da verdade e da bondade (Apocalipse 12:7 – 12). “O diabo, nosso adversário, anda ao nosso redor, como um leão querendo nos devorar” (I Pedro 5:8). Ele não pode nos conduzir a lugar nenhum que não seja o inferno e nada do que ele possa nos oferecer será bom para nossa vida.

Jesus é nosso único caminho para alcançar a Deus e para que esse caminho seja feito não é preciso nenhum poder além do nosso corpo; sequer alguma energia.

YADDAFORCA16George Lucas já disse que as pessoas gostam de “Guerra nas Estrelas” porque os filmes permitem que coloquemos para fora nossas fantasias da infância.
O diretor diz que quando decidiu fazer a série não havia mais o hábito dos pais sentarem com os filhos para contarem história. Com isso, as pessoas estavam perdendo seus mitos e heróis. E a TV colaborava mostrando histórias sem moral.

“A menos que uma criança tenha uma vida familiar sólida ou esteja envolvida com a Igreja, não há âncora para segurá-la”, disse Lucas. “Então, quando eu criei ‘Guerra nas Estrelas’ eu fiz como um conto moderno. Eu acho que é isso que explica o sucesso universal”.

E prossegue: “Guerra nas Estrelas diz para o público : “Escute aqui ! Há algo melhor nessa vida que viver na pornografia, materialismo e vãs filosofias. Você tem um chamado mais algo, um chamado para ser alguém, para fazer alguma coisa. Você tem um encontro com o destino. Você tem potencial e o que você precisa fazer é desenvolver isso.”

Porém, até onde esse “chamado” tem suas bases no Evangelho ?

Irvin Kershner, que dirigiu “O Império Contra Ataca”, também compartilhou suas convicções religiosas no segundo filme da primeira triologia. E em uma conversa com Billy Dee Williams (que interpreta Lando Calrissian), Kershner revelou que tinha a intenção de introduzir algo “zen” no filme porque não queria que as crianças achassem que tudo seria resolvido nos tiros.

 

EDIFICANDO COM “GUERRA NAS ESTRELAS”

É possível aproveitar a veneração do universo de “Guerra nas Estrelas” para aproximar crianças e jovens de uma vida mais focada na espiritualidade? Algumas questões podem ser levantadas em discussões com grupos dessas faixas etárias:

1) Qual o chamado da sua vida? Como o jovem Luke Skywalker, você ouve uma voz falando no seu ouvido, exigindo que você tome seu lugar em um propósito maior?

2) Não viva perdido na escuridão de um espaço espiritual chamado pecado. Você pode sair deste lado negro e vir para a luz de Deus.

3) Luke Skywalker vive para honrar as duas pessoas que morreram em seu lugar. Primeiro, Obi Wan Kenobi, defendendo-o de Darth Vader. Depois, o próprio Vader, que se sacrificou no lugar de Luke. E como você vive, por um Deus que mandou Seu filho para morrer em nosso lugar?

4) O lado negro da “Força” é sedutor, e só com muito esforço vamos escapar dele. Jesus disse que o caminho estreito é o que conduz à salvação, e que o caminho largo, mas fácil, conduz à perdição.

 

Link para a Parte 1:

https://www.deusnogibi.com.br/textos-de-apoio/a-forca-e-deus-parte-1/

Link para a Parte 2:

https://www.deusnogibi.com.br/textos-de-apoio/a-forca-e-deus-parte-2/

 

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