ENTRETENIMENTO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E DA ESPIRITUALIDADE

JULGANDO OS OUTROS

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A DAMA E O VAGABUNDO

“Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados.
Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos deitarão no regaço; porque com a mesma medida com que medis, vos medirão a vós.

E propôs-lhes também uma parábola: Pode porventura um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?
Não é o discípulo mais do que o seu mestre; mas todo o que for bem instruído será como o seu mestre.

Por que vês o argueiro no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?

Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.” (Evangelho de Lucas, capítulo 6, versos de 37 a 42)

“A Dama e o Vagabundo” é um filme baseado numa história não-publicada de Ward Greene. Esse desenho seria uma nova abordagem para a Disney, que anteriormente havia lançado animações ligadas a histórias familiares e contos conhecidos. “A Dama e o Vagabundo” também foi a primeira animação feita no formato CinemaScope wide-screen.

Os personagens principais são um casal de cães que vivem numa cidade no começo do século XX. É Natal, quando a história começa, numa vizinhança populosa. Um marido, conhecido apenas como Querido, dá de presente à sua jovem esposa, Querida, uma caixa de chapéu. Ao invés de um chapéu, entretanto, ela contém uma bela filhote de cocker spaniel, que imediatamente ganha do nome de Lady.

Quando Lady é deixada sozinha no andar de baixo da casa, durante a noite, enquanto o casal vai se deitar, ela usa todos os truques que conhece para subir as escadas e conseguir um lugarzinho ao lado da cama de Querido e Querida. Às vezes, ela consegue isso. Enquanto ela dorme naquela posição, a imagem de uma cadelinha se transforma num animal adulto, jovem. O tempo passou.

Chega o dia em que Lady recebe uma licença, da qual está muito orgulhosa. Ela a exibe para os amigos da vizinhança – dois velhos cães, Jock e Trusty, que já perdeu seu faro. Eles parabenizam Lady com alegria. Não demora muito para que ela perceba que alguma coisa diferente está acontecendo na casa de Querido e Querida. Jock e Trusty descobrem que Querida está esperando um bebê.

Nesse momento da história, o Vagabundo entra em cena. Ele é um vira-lata, um cachorro sem licença que veio do outro lado da cidade. Ele é procurado em toda a vizinhança por escapar do homem da carrocinha. Ao ouvir que os donos de Lady estão esperando um filho, ele cinicamente diz que ela deve se preparar para não mais ser o centro das atenções. Como ele diz, quando um bebê chega, o cachorro sai da vida dos humanos. Jock e Trusty expulsam o Vagabundo, por trazer essa preocupação para Lady.

Logo, a criança nasce. Mas, ao contrário da teoria do Vagabundo, Querido e Querida continuam a amar Lady. E Lady começa a gostar do bebê. Entretanto, a tranquilidade do lar é quebrada quando o casal precisa deixar a cidade por alguns dias. Eles convidam a Tia Sara para cuidar da casa. Tia Sara chega trazendo dois gatos siameses, que logo se mostram cheios de maldade. Com Tia Sara ocupada pela casa, os gatos fazem uma bagunça na sala ao tentar comer o passarinho e o peixinho dourado. Lady faz o possível para não deixar uma tragédia acontecer, mas quando Tia Sara vê a confusão imediatamente culpa Lady pelo desastre.

Tia Sara, com isso, comete um erro, algo que Jesus condenou em mim e em você: “Não julgue, e você não será julgado; não condene, e você não será condenado” (Lucas 6:37).

Jesus não estava sugerindo que não existe lugar para o julgamento na vida de alguém. Além disso, nenhum de nós pode passar um dia sequer sem fazer julgamentos sobre o uso do nosso tempo, energia e recursos. Quando nós estudamos o contexto, nós descobrimos que Jesus estava falando especificamente sobre o julgamento negativo de uma pessoa – nossas críticas e condenações – e a tentação que temos de nos colocar no lugar de Deus, pensando que os juízos que fazemos são os finais. Jesus estava nos ensinando a ter cautela e nunca esquecer três coisas que devem temperar nossas avaliações com sabedoria e bondade.

Em primeiro lugar, Ele nos alerta que sempre existe muita coisa que nós não sabemos a respeito daquilo que estamos julgando. Quando Tia Sara confronta as evidências de um comportamento ruim, ela sequer considera a possibilidade de que os gatos que ama tanto possam ser, de certa forma, os responsáveis pelo problema. (…)

O segundo ensinamento de atenção, dado por Jesus, leva aos nossos julgamentos. Quando nós fazemos um juízo de alguém, nós não podemos considerá-lo somente e exclusivamente com base no seu passado. (…)

Quando o Vagabundo vai embora, rejeitado pela Lady, por causa do que ela descobriu sobre o passado ele, um gigantesco rato aparece na história. O rato consegue entrar na casa de Querido e Querida através da janela que vai dar direto no quarto do bebê. Sem conseguir entrar na casa, a Lady começa a latir. Ouvindo os latidos, o Vagabundo volta para ver o que está acontecendo. Ela conta sobre o rato.

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O Vagabundo entra na casa e sobre as escadas até o quarto do bebê. Lá, ele expulsa o rato, e acorda a criança sem querer. Tia Sara ouve o choro, entra no quarto e vê o Vagabundo ali. Sem vestígios do rato, ela faz outro julgamento precipitado. Ela deduz que o Vagabundo estava atacando o bebê. Imediatamente chama a carrocinha para levar Vagabundo, o qual acredita ser raivoso e perigoso, por se tratar de um cachorro de rua.

Depois que a carrocinha vai embora levando o Vagabundo, Querido e Querida retornam para casa. Lady, que consegue escapar da corrente, leva o casal até o rato morto. Todos entendem o que realmente aconteceu. (…)
A cena final nos leva de volta para onde a história começou. É Natal, mais uma vez. Mas neste Natal, o Vagabundo é um membro da família, e orgulhoso usa uma colheira com licença. E existem quatro filhotes sobre a árvore de Natal. Três deles tem exatamente a aparência da Lady, no Natal anterior. E um deles é uma versão em miniatura do Vagabundo. (…)

E isso nos sugere o terceiro ensinamento de Jesus. Ele nos deixou a mensagem de que o julgamento final sempre pertencerá a Deus. E isso não é um aviso. Representa uma promessa.

“Não julgue, e você não será julgado; não condene, e você não será condenado. Perdoe e você será perdoado” (Lucas 6:37). (…)

Deus ainda é o Senhor a quem podemos recorrer em busca de graça. E se isso nos conforta quando os outros nos julgam de forma errada, também deve nos alertar que o julgamento que fazemos dos outros também deve ser feito com sabedoria e bondade. Nós devemos ser dispostos a perdoar assim como buscamos a necessidade do perdão.

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EXTRAÍDO DO LIVRO:

O Evangelho em Disney

Valores cristãos nos clássicos da animação

Autor: PHILIP LONGFELLOW ANDERSON

Editora: AUGSBURG BOOKS

 

 

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